Bolsonarismo (mais ou menos) em mutação

Bolsonarismo (mais ou menos) em mutação

O presidente Jair Bolsonaro ergue os braços durante discurso a simpatizantes nos jardins do Palácio da Alvorada, em Brasília, 24 de julho de 2020 - AFP/Arquivos

O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, disse hoje à Rede Globo que “não vê o presidente Jair Bolsonaro preocupado com a candidatura de Sérgio Moro” em 2022.

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Acredito no que disse Gomes.

Em primeiro lugar porque Moro, o algoz de Lula, hoje desperta uma rejeição tão grande na esquerda quando o próprio Bolsonaro. É improvável que essa rejeição amaine. Moro não só teria dificuldade em conquistar votos nesse eleitorado como seria alvo de artilharia pesada durante uma campanha eleitoral.

A segunda razão é que Moro demonstrou ter capacidade apenas relativa de drenar apoio do presidente. As pesquisas realizadas depois de sua saída do governo deixaram isso claro. Os níveis de aprovação de Bolsonaro oscilaram, mas não houve um abalo catastrófico.

Isso se deve ao fato de que Moro representa um sentimento anti-corrupção, enquanto Bolsonaro encarna um sentimento muito mais radical, anti-sistema. Tudo que veio antes do capitão é rejeitado, em bloco, por seus seguidores. Paulo Guedes traduziu muito bem esse modo de encarar as coisas quando afirmou que não existem diferenças entre PT e PSDB na economia. A frase pode se estender a todas as outras políticas implementadas nas três décadas da chamada Nova República: elas são farinha do mesmo saco e não espelham a visão de mundo bolsonarista.

A não-coincidência entre bolsonarismo e “morismo” ajuda a explicar inclusive que a aproximação do presidente com o tão desprezado Centrão, sinônimo de corrupção, seja tolerável: ela é o preço a pagar para que a essência do bolsonarismo se expresse nas leis e se infiltre nas instituições.

A terceira razão é que um novo manancial de eleitores se descortinou para o presidente. Eles podem substituir – com folga – aqueles que escolheriam Moro por terem se desencantado com Bolsonaro. São os brasileiros carentes que foram beneficiados pelo coronavoucher e podem vir a ser atendidos pelo novo programa de transferência de renda que o governo pretende implementar. Esse é um contingente de pessoas que só quem ocupa o poder e controla os seus mecanismos de assistência social consegue tocar.

Obviamente, tudo isso só explica por que o presidente não tenha muitas razões para se preocupar com Moro neste momento.

Se a CPMF tão desejada por Paulo Guedes não passar e não for substituída por uma nova fonte de receitas tributárias, os planos de criar o programa Renda Brasil podem fracassar, impedindo que Bolsonaro conquiste definitivamente os mais pobres.

As investigações sobre as rachadinhas de Flávio Bolsonaro podem evoluir, assim como podem surgir novidades sobre os esquemas de Eduardo Bolsonaro com dinheiro do fundo partidário revelados neste fim de semana pela IstoÉ. Isso faria com que o clã presidencial passasse, de complacente com o Centrão, para ele mesmo corrupto.

Os inquéritos sobre fake news no STF e no Congresso podem avançar, pondo novamente em risco o mandato de Bolsonaro.

Nos últimos meses, o presidente não apenas descobriu que pode viver sem o eleitorado de classe média que se identifica com Moro como ainda avançou sobre um reduto antes exclusivo da esquerda. São mudanças significativas. Mas os vícios e fraquezas do bolsonarismo continuam onde sempre estiveram.

 

 

 

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