Bolsonarismo é igual ao nazifascismo

O extremismo bolsonarista sempre esteve presente na história do Brasil. A negação dos direitos humanos, a violência como instrumento de fazer política, a recusa à aceitação da diversidade, o interesse individual do andar de cima se sobrepondo às necessidades das amplas massas de pobres e miseráveis, foram marcas indeléveis da nossa formação social.

A discriminação foi durante muitas décadas encarada como algo natural ou “aceita” de forma indulgente. Acabou sedimentando um terreno reacionário que foi cultivado pelo extremismo sem que os breves momentos democráticos pudessem realizar a devida limpeza da área contaminada. A desconsideração da existência — e da permanência — de uma visão de mundo oposta ao Estado democrático de Direito acabou permitindo que os desacertos políticos das últimas décadas fossem instrumentalizados e apropriados pelos negacionistas das liberdades democráticas. O bolsonarismo é a versão mais atualizada deste espírito que foi sistematizado — com diferentes matizes — pelo nazifascismo tupiniquim.

O momento que estamos vivendo permitiu enxergar sem qualquer forma de ocultamento o extremismo pois, desta vez, não ficou restrito a pequenos grupos marginais da sociedade ou às questões pontuais. Não, o bolsonarismo tomou
o aparelho de Estado, usando de todas as franquias da Constituição de 1988, e transformou o cotidiano nacional numa guerra constante contra a democracia.

De ameaça em ameaça chegamos ao ponto de aguardar por um golpe de Estado como se fosse algo absolutamente natural, parte da política. Foi o que assistimos, por exemplo, no último dia Sete de Setembro. O Brasil, em suspenso, aguardando as falas golpistas em Brasília e, posteriormente, em São Paulo.

De ameaça em ameaça chegamos ao ponto de aguardar por um golpe de Estado como se fosse algo absolutamente natural, parte da política

O País não suporta mais o extremismo como política oficial. A cada dia a situação econômico-social piora. A desorganização financeira governamental é evidente. O orçamento de 2022 é pura ficção. Não há plano de governo. O cotidiano da administração é caótico. Bolsonaro sequer tem uma agenda diária de trabalho. Tudo é feito no improviso, em ritmo miliciano, como se o “escritório do crime” de Rio das Pedras tivesse se transferido para o Palácio do Planalto. Só falta Fabrício Queiroz ser designado para chefiar a Casa Civil.

O desafio dos democratas é não só vencer o extremismo, mas enfrentá-lo onde deitou raízes. Um bom início seria
a introdução da Constituição no currículo escolar como disciplina ou em conteúdos programáticos espalhados por disciplinas da área das Ciências Humanas.


Sobre o autor

Marco Antônio Villa é historiador, escritor e comentarista da Jovem Pan e TV Cultura. Professor da Universidade Federal de São Carlos (1993-2013) e da Universidade Federal de Ouro Preto (1985-1993). É Bacharel (USP) e Licenciado em História (USP), Mestre em Sociologia (USP) e Doutor em História (USP)


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