Bolsilveira

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)

Quando o mau exemplo vem do topo ele alastra como um câncer. Se Bolsonaro não falasse o que ele fala, Silveira não diria o que ele diz, porque mais graves do que as barbaridades proferidas pelo deputado ex-polícia militar, são os sucessivos despropósitos com que o Presidente da República vai delapidando o valor institucional do seu cargo.

A Petrobras despencou na bolsa pela mesma razão que Daniel Silveira foi preso. Por causa de incontinência verbal. Falar besteira é hoje o principal problema do Brasil. Se os políticos soubessem ficar calados tudo seria melhor. Mas isso eles não sabem fazer.

Independentemente do resultado do voto sobre a manutenção da prisão de Daniel Silveira — que quando escrevi ainda não está decidida — uma nova sombra paira sobre a democracia brasileira. O aumento do tom, da crispação e do radicalismo por parte dos atores políticos é útil à estratégia de reeleição do atual poder, mas é terrível para a democracia.

A questão de fundo é, no entanto, outra e mais importante que a análise das palavras inqualificáveis que um homem que nunca devia ter sido eleito deputado — e que por isso agora goza de imunidade parlamentar.

A questão de fundo é saber se, e como, é possível, impedir que homens como Silveira possam aceder a representar o povo.


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Mais uma vez o Brasil é pioneiro no debate das questões importantes que a democracia, em todo o mundo, hoje enfrenta. A globalização e, sobretudo, o galopante desenvolvimento das tecnologias, colocam à democracia problemas sérios que antes não existiam.

O acesso generalizado à comunicação de massas — através das redes sociais — acabou com a mediação e a guarda (que não censura) — que o quarto poder do jornalismo antes fazia.

O fim do jornalismo clássico, e a forma como os poderes se aproveitam da sua ausência, em lugar de a repararem, nos aproxima da de uma certa necessidade “de uma censura” que, mais cedo ou mais tarde, dolorosamente teremos de nos aproximar.

Quando Silveira invoca que “a Imunidade não é para o parlamentar, mas para a função que ele representa” ele só não compreende que essa função não pode atacar a democracia.

A proliferação de mentiras, fatos alternativos, fake news e deep fakes não deixará aos democratas outra alternativa que legislar no sentido da limitação da liberdade de expressão. A sobrevivência da democracia depende dos homens que que operarem essa tarefa.

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O perigo de ter um presidente como Jair Bolsonaro é ter mais deputados como Daniel Silveira.

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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