As bolsas europeias e o euro se recuperam das fortes perdas de ontem nesta quarta-feira, enquanto investidores acompanham os desdobramentos da crise política na Itália.
Após se encontrar brevemente hoje com o presidente italiano, Sergio Mattarella, o primeiro-ministro designado do país, Carlo Cottarelli, disse que surgiram “novas possibilidades” de se formar um governo baseado no resultado das eleições de 4 de março. Isso significa que Mattarella está considerando reavivar uma coalizão formada pelos partidos populistas que receberam o maior número de votos na ocasião, o Movimento 5 Estrelas (M5S) e a Liga.
No fim de semana, Mattarella havia bloqueado a coalizão proposta pelo M5S e Liga por discordar da indicação de um eurocético para o cargo de ministro da Economia.
Cottarelli, que é um ex-diretor do Fundo Monetário Internacional, recebeu de Mattarella a tarefa de tentar formar um novo governo. Inicialmente, esperava-se que ele ficaria no cargo apenas provisoriamente até a convocação de eleições antecipadas.
Em relatório trimestral divulgado hoje, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avaliou que a crise da Itália evidencia a necessidade de a zona do euro implementar reformas com urgência.
Há sinais de melhora também no cenário político da Espanha, onde o partido centrista Ciudadanos decidiu não apoiar uma moção de censura contra o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy, que será debatido no Parlamento do país nos próximos dois dias, segundo a agência de notícia Reuters. A decisão reduz as chances de que Rajoy seja derrubado.
Mais cedo, foram divulgados vários indicadores de peso na Europa.
Na França, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre ante os três meses anteriores foi revisado para baixo, de 0,3% para 0,2%. No último trimestre do ano passado, o PIB francês havia crescido em ritmo bem mais forte, de 0,7%.
Já na Alemanha, a maior economia da zona do euro, as vendas no varejo subiram 2,3% em abril ante março, superando a previsão de analistas consultados pela Trading Economics, que previam aumento de 0,7%. E a taxa de desemprego alemã recuou de 5,3% em abril para 5,2% em maio, atingindo o menor nível em série histórica iniciada em janeiro de 1992.
Além disso, o índice de sentimento econômico da zona do euro caiu de 112,7 em abril para 112,5 em maio, mas a projeção era de queda mais intensa, a 112.
Às 8h31 (de Brasília), a Bolsa de Milão liderava os ganhos na Europa, com alta de 2,15%, enquanto a de Madri subia 0,90% e a Lisboa avançava 1,02%. Entre mercados maiores, Londres e Frankfurt tinham valorização de 0,28% e 0,65%, respectivamente, mas Paris caía 0,31%. No câmbio, o euro se fortalecia, a US$ 1,1629, depois de atingir mínimas em 10 meses ontem, e a libra seguia a mesma direção, cotada a US$ 1,3282. Com informações da Dow Jones Newswires.