Economia

Bolsas europeias caem majoritariamente após Fed e com notícias corporativas

As bolsas europeias operam majoritariamente em baixa desde a abertura, com o foco dos investidores voltando para a possibilidade de mais aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) agora que a incerteza das eleições legislativas de meio de mandato dos EUA ficou para trás. Balanços e alertas de lucro também afetam papéis específicos nos mercados italiano e alemão.

Como se esperava, o Fed manteve ontem seus juros básicos inalterados após concluir reunião de política monetária, mas reiterou que prevê “mais aumentos graduais” e não fez menção à recente turbulência que sacudiu os mercados financeiros globais, sugerindo que permanece confiante na recuperação econômica dos EUA. O BC americano já elevou juros três vezes este ano e a previsão é de que um quarto aumento virá no encontro de dezembro.

O Fed volta ao centro das atenções depois de o pleito americano desta semana terminar como indicavam pesquisas de opinião: com o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, mantendo o comando no Senado e os democratas retomando o controle na Câmara dos Representantes.

Três dirigentes do Fed, dois dos quais têm direito a voto nas reuniões deste ano, farão discursos nesta sexta-feira. Já o presidente Trump inicia hoje uma visita à França.

Notícias corporativas também afetam grandes empresas nas maiores praças da Europa. Em Milão, a ação da Telecom Italia caía 4,7% por volta das 7h45 (de Brasília), após a empresa divulgar que teve prejuízo líquido de 1,4 bilhão de euros no terceiro trimestre, revertendo lucro de igual período do ano passado, devido a uma amortização de ágio no valor de 2 bilhões de euros relacionada a operações domésticas.

Já em Frankfurt, o conglomerado industrial alemão ThyssenKrupp sofria um tombo de 11,6%, depois de ter feito ontem seu segundo alerta de lucro desde julho, citando a necessidade de fazer provisões diante de uma investigação sobre supostas práticas de cartel.

No setor bancário, o UBS caía 3,5% em Zurique após o Departamento de Justiça dos EUA abrir um processo contra a instituição suíça por perdas de investidores com títulos lastreados em hipotecas num período anterior à crise financeira global, enquanto o espanhol BBVA recuava 6% em Madri depois de uma legislação no México proibir bancos de cobrar comissões sobre certos serviços.

A questão do orçamento italiano também permanece no radar. Logo mais, às 9h30 (de Brasília), o presidente do Eurogrupo, Mario Centeno, se reúne com o ministro de Finanças da Itália, Giovanni Tria. Ontem, a União Europeia previu que o governo italiano irá estourar sua meta de déficit fiscal para 2019, que é de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Para a UE, o déficit orçamentário italiano atingirá 2,9% no próximo ano.

A agenda de indicadores trouxe de relevante números da economia do Reino Unido, que se prepara para sair da UE até março próximo, dentro do processo conhecido como “Brexit”. Dados oficiais mostraram que o PIB britânico cresceu 0,6% no terceiro trimestre ante o segundo e registrou expansão de 1,5% na comparação anual, como previam analistas. A expansão anualizada do PIB entre julho e setembro foi de 2,5%, melhor resultado desde o último trimestre de 2016. A produção industrial do Reino Unido, por sua vez, ficou estável em setembro ante agosto, também em linha com a projeção do mercado. A libra, que vem mostrando tendência de queda em meio a incertezas sobre o Brexit, mal reagiu aos dados.

Às 8h06 (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 0,54%, a de Frankfurt recuava 0,44% e a de Paris cedia 0,71%. Em Milão, a baixa era de 1,06% e, em Madri, de 0,88%. Em Lisboa, o mercado local era exceção e o índice PSI-20 subia 0,07%. No câmbio, a libra se enfraquecia a US$ 1,3003, de US$ 1,3062 no fim da tarde de ontem, enquanto o euro tinha baixa a US$ 1,1339, de US$ 1,1364 ontem. Com informações da Dow Jones Newswires.

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