Economia

Bolsas da Europa fecham em queda com tensões comerciais e giant techs no radar

As principais bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda nesta quinta-feira, refletindo preocupações crescentes do mercado sobre o peso das tensões no comércio internacional sobre a economia global. Investidores também estão atentos às discussões sobre a possível tributação de gigantes do setor tecnológico.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 0,22%, aos 386,80 pontos. O subíndice de tecnologia do Stoxx 600 recuou 1,57%, enquanto o subíndice de óleo e gás caiu 1,18%, pressionado pela forte queda dos preços do petróleo.

À medida que o noticiário sobre as disputas comerciais entre Estados Unidos e China não permite criar muitas esperanças sobre um acordo em breve, ou seja, insinua que a incerteza será prolongada, investidores se mostram mais pessimistas com os efeitos negativos sobre o cenário internacional.

O Livro Bege publicado ontem pelo Federal Reserve mostrou preocupações de empresários justamente nesse sentido. Para analistas do BBVA Research, o impacto das tensões comerciais “é palpável e pode ser considerado a longo prazo”, afirmando que os prejuízos ao setor industrial e às exportações estão causando desaceleração do crescimento global.

A possibilidade de os EUA imporem tarifas sobre importações de automóveis da União Europeia (UE) pode agravar ainda mais as condições da indústria no bloco. Trump vem acusando o bloco econômico de desvalorizar artificialmente o euro para impulsionar suas exportações.

Além disso, o mercado monitora a possibilidade da criação de uma nova tributação sobre negócios digitais nos países do G7, tema discutido por autoridades durante reunião do consórcio nesta semana.

Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX recuou 0,92% a 12.227,85 pontos, com as maiores perdas representadas pelas tecnológicas SAP (-5,12%) e Wirecard (-1,97%). A SAP e a multinacional alemã de serviços digitais United Internet (-7,24%) lideraram baixas do setor tecnológico do Stoxx 600.

Em Londres, onde o índice FTSE 100 caiu 0,56% para 7.493,09 pontos, a lista de maiores quedas incluiu as tecnológicas Sage (-2,30%) e Micro Focus (-1,65%), a petrolífera BP (-2,33%) e as mineradoras Fresnillo (-9,12%), Rio Tinto (-1,97%) e BHP (-1,81%). No noticiário britânico de hoje, teve destaque o alerta do Escritório para Responsabilidade Fiscal (OBR, na sigla em inglês) sobre o risco de forte recessão no caso de um Brexit sem acordo, gerando movimentação do Parlamento para impedir que o próximo premiê force este cenário.

Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 fechou em baixa de 0,38%, a 5.550,55 pontos. A petrolífera Total (-1,15%) sofreu desvalorização, enquanto as techs Dassault (-1,96%), Atos (-1,29%) e Capgemini (-0,97%) figuraram entre as maiores perdas do pregão francês e do subíndice de tecnologia do Stoxx 600.

A Bolsa de Milão foi exceção às principais europeias nesta quinta-feira, com fechamento do índice FTSE MIB em leve alta de 0,05%, a 22.090,81 pontos. O setor bancário contribuiu novamente para aquecer o pregão italiano, com alta do BPER (+0,90%), UniCredit (+0,59%), FinecoBank (+0,39%), Intesa Sanpaolo (+0,34%) e Unipol (+0,28%).

O índice Ibex 35 da Bolsa de Madri recuou 0,63%, a 9.225,70 pontos, enquanto o índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa fechou em baixa de 0,60%, a 5.220,59 pontos.