Economia

Bolsas da Ásia fecham em alta com tom ‘dovish’ do Fed

Os mercados acionários asiáticos encerraram o pregão desta sexta-feira em alta à medida que os agentes se viram motivados a ir às compras diante da possibilidade de uma postura mais agressiva pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) quanto a uma redução nas taxas de juros neste mês.

A especulação entre os investidores ganhou força ainda na quinta-feira, quando o presidente da distrital de Nova York do Fed, John Williams, defendeu a necessidade de uma ação rápida na política monetária diante de sinais de “aflição” na economia. Considerado um dos dirigentes mais influentes do banco central, Williams disse que o cenário “desafiador” para os formuladores de políticas indica que é preciso tomar “medidas rápidas quando confrontado com condições econômicas adversas”. O viés “dovish” de Williams tentou ser desfeito pelo Fed de Nova York. Em comunicado, a distrital apontou que o dirigente fez um “discurso acadêmico”, e não falou sobre uma eventual ação do banco central.

Os comentários de Williams fizeram com que as apostas de um corte de 50 pontos-base nos juros passassem a ser majoritárias. Após o recuo do Fed de Nova York, a possibilidade de uma redução de 25 pontos-base voltou a ser majoritária. Vice-presidente do Fed, Richard Clarida não foi tão enfático quanto Williams, mas manteve abertas as portas para cortes nos juros em duas semanas. Para ele, o trabalho do Fed é tomar medidas preventivas antes que os indicadores econômicos fiquem muito ruins.

Na Bolsa de Tóquio, os investidores, além do viés “dovish” do Fed, também operaram na expectativa das eleições do Japão no próximo domingo, quando serão eleitos 124 dos 245 membros da Câmara dos Conselheiros, a Câmara alta do Legislativo japonês. Por lá, o índice Nikkei fechou em alta de 2,00%, a 21.466,99 pontos. Já na Bolsa de Sydney, o australiano S&P/ASX 200 subiu 0,77%, para 6.700,30 pontos.

Em solo chinês, ainda repercutiu entre os agentes a conversa por teleconferência entre o vice-primeiro-ministro da China Liu He, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, e o representante comercial americano, Robert Lighthizer. Por lá, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) conduziu a maior injeção de liquidez no sistema financeiro ao injetar 471,5 bilhões de yuans por meio de recompras reversas. O índice Xangai Composto fechou em alta de 0,79%, cotado a 2.924,20 pontos. Já o menos abrangente Shenzen Composto subiu 0,8%, para 1.560,27 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,07%, para 28.765,40 pontos.

As ações coreanas também terminaram em alta diante das crescentes expectativas de estímulos fiscais pelo governo e de uma política mais acomodatícia pelo Banco da Coreia (BoK, na sigla em inglês). O índice Kospi, da Bolsa de Seul, encerrou o dia com 2.094,36 pontos, em alta de 1,35%, diante da possibilidade de outro corte nos juros após a redução surpresa desta semana, além do plano de gastos extras do governo devem favorecer o sentimento dos investidores, de acordo com a Samsung Securities.