Economia

Bolsas asiáticas fecham em baixa, após Fed sinalizar mais aumentos de juros

As bolsas asiáticas encerraram os negócios desta quinta-feira com perdas generalizadas, que superaram 1% em alguns casos, depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sinalizar que apertará sua política monetária em ritmo mais intenso do que antes. Na China, pesaram também indicadores macroeconômicos mais fracos do que se previa.

Como era amplamente esperado, o Fed elevou ontem seu juro básico em 0,25 ponto porcentual pela segunda vez este ano, para a faixa de 1,75% a 2,00%. O BC americano também indicou, porém, que deverá elevar juros mais duas vezes na segunda metade do ano, o que daria um total de quatro ajustes em 2018. Até março, a previsão do Fed era de três altas de juros ao longo do ano.

Além disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, anunciou que haverá coletivas de imprensa após todas as reuniões da instituição a partir de janeiro de 2019. Atualmente, o Fed realiza coletivas a cada duas reuniões. Tradicionalmente, o BC dos EUA só altera sua política em dias de coletiva.

O mercado da Coreia do Sul liderou as perdas na Ásia, ao voltar de um feriado para a realização de eleições locais. O índice Kospi caiu 1,84% hoje, a 2.423,48 pontos, também penalizado por ações do setor de construção, que nas últimas semanas vinham acumulado fortes ganhos em meio a esperanças geradas pela reaproximação de Seul com a Coreia do Norte.

Em Tóquio, o Nikkei recuou 0,99%, a 22.738,61 pontos, à medida que o iene se recuperou de recentes perdas frente ao dólar. Na primeira hora desta sexta-feira, o Banco do Japão (BoJ) irá anunciar sua decisão de política monetária, mas não há expectativa de mudanças, uma vez que a inflação doméstica permanece muito abaixo da meta oficial de 2%.

Nos mercados da China continental, a desvalorização foi relativamente menor. O Xangai Composto teve baixa moderada de 0,18%, a 3.044,16 pontos, e o Shenzhen Composite, que é em boa parte formado por startups, caiu 0,55%, a 1.721,89 pontos.

Os últimos números chineses sobre produção industrial, vendas no varejo e investimentos em ativos fixos vieram todos aquém do esperado. A indústria da China, por exemplo, produziu em maio 6,8% mais do que em igual mês do ano passado, mas analistas previam um avanço de 7%. Já no varejo, as vendas subiram 8,5% na mesma comparação, ante expectativa de acréscimo de 9,6%.

Apesar da elevação de juros pelo Fed, o Banco do Povo da China (PBoC) decidiu hoje manter inalteradas as taxas de juros de curto prazo de seu sistema interbancário. Em ocasiões anteriores, o BC chinês seguiu o Fed e ajustou suas taxas para cima.

Outro fator que pressiona as ações na China é o fato de que os EUA poderão confirmar até amanhã a imposição de tarifas a cerca de US$ 50 bilhões em produtos chineses.

Em outras partes da região asiática, o Hang Seng caiu 0,93% em Hong Kong, a 30.440,17 pontos, e o Taiex registrou queda de 1,43%, a maior em oito semanas, fechando a 11.013,98 pontos.

Antes do BoJ, investidores vão acompanhar o Banco Central Europeu (BCE), que irá revisar sua política monetária na manhã desta quinta. Existe alguma expectativa de que o banco europeu indique como pretende retirar gradualmente seu programa de relaxamento quantitativo (QE, pela sigla em inglês), que prevê compras mensais de 30 bilhões de euros em bônus soberanos e outros ativos até pelo menos setembro.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em ligeira baixa de 0,11%, com o índice S&P/ASX 200 a 6.016,60 pontos. Com informações da Dow Jones Newswires.