O mercado financeiro brasileiro começou esta terça-feira (27) sob expectativa de recuperação após a forte turbulência registrada na segunda-feira (26), primeiro pregão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Indicadores negociados no exterior apresentaram sinais moderados de melhora nas primeiras horas do dia, depois de uma sessão marcada por vendas intensas de ações, valorização do dólar e interrupção temporária das negociações na Bolsa brasileira.
Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 13,88%, encerrando o pregão aos 176.608,23 pontos. O dólar comercial avançou 8,21%, fechando cotado a R$ 5,403.
Os movimentos desta terça-feira ainda precisam ser acompanhados ao longo do pregão para determinar se representam uma recuperação consistente ou apenas um ajuste após as perdas expressivas.
Ativos brasileiros apresentam melhora no exterior
Antes da abertura dos negócios em Nova York, o fundo de índice EWZ, que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, registrava valorização de aproximadamente 0,29%.
O movimento ocorreu depois de o ativo acumular perdas acentuadas na sessão anterior.
No mercado cambial futuro, o dólar apresentava leve recuo diante do real nas primeiras horas da manhã.
A variação indicava relativa estabilidade da moeda americana perto de R$ 5,40, patamar alcançado após a disparada de segunda-feira.
Esses indicadores funcionam como referências para os investidores, mas não garantem que o mercado brasileiro encerrará o dia em alta.
Ibovespa sofreu maior queda diária desde 2020
A segunda-feira foi marcada por forte volatilidade na Bolsa brasileira.
O Ibovespa chegou a recuar mais de 17% durante o pregão, atingindo aproximadamente 169,5 mil pontos.
A intensidade das perdas levou à ativação do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o mercado registra quedas expressivas.
O índice terminou o dia em baixa de 13,88%, no pior resultado diário desde março de 2020, quando os mercados foram atingidos pelo início da pandemia de covid-19.
O volume financeiro negociado alcançou aproximadamente R$ 88,6 bilhões, muito acima da média habitual.
Dólar chegou a ultrapassar R$ 5,60
A moeda americana também registrou oscilações expressivas.
Durante a manhã de segunda-feira, o dólar chegou a ser negociado acima de R$ 5,60.
Ao longo da sessão, perdeu parte da força e encerrou o dia em R$ 5,403.
A alta de 8,21% representou a maior valorização percentual diária da moeda desde janeiro de 1999.
A disparada refletiu a busca de investidores por proteção diante da incerteza sobre os próximos passos da política econômica brasileira.
Resultado eleitoral surpreendeu parte dos investidores
Analistas apontam que parte do mercado havia estruturado suas posições considerando a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
A confirmação da reeleição de Lula levou investidores a rever estratégias e expectativas.
Entre os fatores acompanhados estão a trajetória das contas públicas, a política fiscal, a composição da equipe econômica e as relações entre o Executivo e o Congresso Nacional.
Essas preocupações ajudam a explicar a volatilidade, mas não permitem atribuir cada movimento de preços a um único fator.
Bancos e Petrobras entram no radar
Depois das fortes perdas registradas na segunda-feira, ações de grandes empresas brasileiras passaram a ser acompanhadas com atenção.
Na negociação anterior à abertura de Wall Street, recibos de ações de bancos brasileiros apresentavam recuperação moderada.
Os papéis de empresas como Bradesco, Itaú Unibanco e Petrobras estavam entre os ativos monitorados pelos investidores.
A evolução dessas ações pode ajudar a indicar o apetite do mercado por risco ao longo do dia.
O que observar nesta terça-feira?
Os investidores acompanham principalmente o comportamento do dólar, a abertura do Ibovespa e eventuais manifestações de integrantes do governo sobre a política econômica.
Também são observados os juros futuros, que refletem expectativas sobre inflação, contas públicas e decisões do Banco Central.
Uma recuperação dos preços não elimina automaticamente as perdas anteriores.
Da mesma forma, novas oscilações não significam necessariamente uma tendência duradoura.
O mercado deverá continuar sensível a declarações políticas e sinais sobre a condução da economia no próximo mandato presidencial.
Da IstoÉ