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Bola na praia. E não é vôlei nem futebol

Os comentários nas redes sociais são variados: há quem reclame de dores após o esforço físico, enquanto outro exibe imagens de uma defesa seguida de queda e uma garota comenta ter levado uma bolada. Tudo na beira da praia e referente ao mesmo esporte: o futebol… americano.

Bolas ovais de modelos e cores diversas têm ganhado espaço no litoral brasileiro, agradando adeptos das atividades praieiras mais tradicionais, como futebol, vôlei e frescobol. O crescimento reflete o aumento da popularidade das partidas da National Football League (NFL) e de campeonatos de rúgbi no País. “Nunca tinham visto ninguém antes jogando na praia”, comenta o estudante de Relações Internacionais Eliezer Batista, de 22 anos.


De Florianópolis, ele conheceu o futebol americano com amigos dos Estados Unidos, de quem ganhou uma bola oficial em 2018. “Aprendi com eles o básico – lançamento e recebimento – e foi tranquilo. Tem técnica, mas é possível aprender.”

Já o músico João Di Virgilio, de 22 anos, começou a praticar futebol americano por ser fã de NFL há oito anos. De Santos, no litoral paulista, ele conta que os banhistas estranham menos o esporte. “Ainda é raro de ver, mas menos do que era naquela época. Hoje em dia é de boa, até porque tem time (Santos Tsunami, do clube de futebol).”

Para evitar incidentes com frequentadores, parte dos adeptos prefere jogar no fim da tarde. “Em geral, esperamos a praia esvaziar para jogar mais ‘susse’ (sossegado)”, diz o professor de Educação Física Gabriel Nascimento, de 35 anos.

Nos casos citados, o esporte é mais um hobby litorâneo. “Na verdade, nem é um jogo. Só ficamos lançando a bola um para o outro”, conta Nascimento. Mas há também quem leve mais a sério. Somente em São Paulo, há mais de cem equipes vinculadas à confederação nacional, parte delas com partidas na praia.

A mesma situação se reflete no rúgbi, que tem agremiações já tradicionais no litoral, como a Associação Ilhabela Rugby Clube, e também é promovido em eventos privados ou apoiados por prefeituras de municípios como Caraguatatuba e Itanhaém, no litoral sul de São Paulo. Dessa forma, o esporte chegou também à unidade de Bertioga do Sesc, que, após três anos de aulas para a comunidade, ocupou a areia.

Rúgbi

“Até pensava que era futebol, por causa das traves. É bem diferente, uma novidade, né? É mais estrangeiro, mas está pegando no Brasil”, comenta o professor Alberto Martins, de 51 anos, que parou para observar a partida do filho Rafael, de 11. “Ele nunca tinha jogado”, diz.

Embora iniciante, Rafael chegou a pontuar na partida, ao cruzar a linha adversária. O jogo misturou regras do “beach rugby” e do “touch rugby”, pois a versão de praia foi adaptada – na queda, a areia batida de Bertioga pode machucar, diz Wellington Briza, instrutor do Sesc.

No jogo, o adversário tem de passar a bola para trás ou para o lado quando é tocado pelas duas mãos do oponente. O objetivo é cruzar o campo até o lado oposto.

O estudante Diogo Santos, de 16 anos, conta que grande parte dos amigos não conhece o rúgbi. “Procuro partidas na TV, no YouTube”, diz. “Se o pessoal conhecesse mais, teria mais gente jogando.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.