Cultura

Bocelli defende Plácido Domingo após acusações de assédio

MIAMI, 13 NOV (ANSA) – O artista italiano Andrea Bocelli defendeu firmemente o tenor espanhol Plácido Domingo, de 78 anos, afirmando que é “absurdo” que as casas de ópera tenham cancelado suas apresentações por conta de acusações de assédio sexual antes de uma investigação. “Ainda estou chocado com o que aconteceu com esse artista incrível”, disse Bocelli. “Eu não entendo isso. Amanhã, uma senhora pode simplesmente dizer: ‘Andrea Bocelli me molestou há 10 anos’ e, a partir daquele dia, ninguém mais vai querer cantar comigo e as casas de ópera não vão me chamar mais. Isso é um absurdo”. A declaração foi dada durante entrevista à agência Associated Press na própria casa do tenor italiano em Miami.   

Domingo foi acusado de assédio sexual por cerca de 20 mulheres de diferentes casas de ópera. O tenor, por sua vez, sempre negou, alegando que eram relações consensuais.   

Devido ao escândalo, o espanhol deixou em outubro seu cargo de diretor da Ópera de Los Angeles, que ocupava desde 2009. O caso ganhou repercussão mundial e provocou também o cancelamento de apresentações de Domingo na Orquestra da Filadélfia e na Ópera de São Francisco. Nesta semana, inclusive, ele decidiu cancelar seu show nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Bocelli é um dos primeiros artistas mais renomados a defender publicamente Domingo, argumentando que os cidadãos deveriam diferenciar as habilidades dos artistas de sua moralidade. Na entrevista, o italiano ressaltou que as pessoas não devem fazer julgamentos até que o acusado seja condenado e sentenciado. “No passado, muitos artistas têm moral duvidosa”, disse Bocelli, acrescentando que há dois aspectos em julgar um artista. “Um é o moral, que deve ser tratado nos tribunais e aqui na Terra e por nosso bom Senhor nos céus. Depois, há um julgamento artístico, que é subjetivo e depende de cada um de nós”, finalizou. Bocelli está se preparando para realizar uma turnê nos Estados Unidos a partir do próximo mês, que começará em San Francisco e fechará com duas apresentações no Madison Square Garden, em Nova York. (ANSA)