Mundo

Boca de urna dá vitória à esquerda em eleição na Itália

ROMA, 26 JAN (ANSA) – Pesquisas de boca de urna apontam que a centro-esquerda conseguiu evitar uma vitória do ex-ministro Matteo Salvini nas eleições regionais da Emilia-Romagna, um histórico bastião “vermelho” no norte da Itália. Os resultados, no entanto, estão dentro da margem de erro.   

Uma sondagem do instituto Tecnè coloca o governador Stefano Bonaccini, do social-democrata Partido Democrático (PD), entre 46,% e 50,5% dos votos. Já Lucia Borgonzoni, da ultranacionalista Liga, legenda liderada por Salvini, aparece com 43,5% a 47,5%.   

Já uma pesquisa divulgada pela emissora pública Rai dá de 47 a 51% para Bonaccini e 44% a 48% para Borgonzoni. Simone Benini, candidato do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), está com 6% ou menos nas duas sondagens.   

Governada pela esquerda desde sua instituição, em 1970, a Emilia-Romagna era vista como um atalho para Salvini voltar ao poder na Itália. Seu projeto era colocar a Liga no governo de uma das regiões mais “vermelhas” do país e aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro Giuseppe Conte, que comanda uma instável coalizão entre partidos de esquerda, de centro e o M5S, formada com o objetivo de evitar eleições antecipadas.   

A Liga lidera todas as pesquisas de intenção de voto em âmbito nacional e, no caso de novas eleições legislativas, poderia conquistar a maioria no Parlamento no comando de uma coalizão com outros partidos de direita.   

A perspectiva de uma vitória de Salvini na Emilia-Romagna deu origem ao movimento das “sardinhas”, que desde o fim do ano passado lotou praças e ruas da região e do restante do país para conter o avanço da extrema direita.   

Apesar de se professarem apartidárias, as “sardinhas” têm viés abertamente progressista, e uma eventual vitoria de Bonaccini será parcialmente creditada à mobilização gerada pelo movimento.   

A votação teve participação de 66,49% dos eleitores, segundo dados ainda preliminares, quase o dobro dos 36,83% registrados um ano antes.   

Já na Calábria, outra região governada pelo PD, as pesquisas de boca de urna dão uma vitória tranquila de Jole Santelli (48% a 53%), do conservador Força Itália (FI), aliado da Liga, sobre o independente de esquerda Pippo Callipo (29% a 33%).   

Avanço – Mesmo fora do poder, Salvini segue com a popularidade em alta e, no fim de outubro, alcançou uma vitória avassaladora nas eleições regionais na Úmbria, outro antigo bastião da esquerda italiana. Desde as eleições legislativas de 4 de março de 2018, quando o secretário da Liga assumiu a liderança da coalizão de direita com o moderado FI e o extremista Irmãos da Itália (FdI), a aliança vem colecionando vitórias nas urnas.   

De lá para cá, sete regiões governadas pelo PD, maior força de esquerda no país, realizaram eleições, e a coalizão conservadora venceu em todas. Entre maio e junho de 2020, outras seis regiões italianas devem eleger novos governadores: Campânia, Marcas, Puglia e Toscana, controladas pela esquerda, e Ligúria e Vêneto, comandadas pela direita. (ANSA)