Boca de urna aponta vitória esmagadora de socialista em Portugal

Boca de urna aponta vitória esmagadora de socialista em Portugal

"AntónioSegundo sondagens, António José Seguro impôs dura derrota ao ultradireitista André Ventura. Mais de 36 mil eleitores não puderam votar em razão das fortes chuvas que atingiram o país.Pesquisas de boca de urna indicam uma vitória esmagadora do socialista moderado António José Seguro no segundo turno das eleições presidenciais de Portugal neste domingo (08/02), derrotando o líder da ultradireita André Ventura na corrida para suceder o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita. Esta foi a primeira vez em 40 anos que o país realizou um segundo turno para eleger seu chefe de Estado.

As sondagens indicam que Seguro, o mais votado no primeiro turno das eleições, realizado a 18 de janeiro, venceu a segunda rodada da votação por uma ampla margem, com o candidato do Partido Socialista atingindo 71,4% dos votos, segundo a projeção CNN/TVI, superando pesquisas anteriores.

Ventura, líder do partido ultradireitista Chega – a maior sigla de oposição no Parlamento – obteve 33,0 % do total, segundo as pesquisas

Outras pesquisas de boca de urna apresentaram números semelhantes, com variações de entre 67% e 73% para Seguro e 27% a 33% para Ventura.

Nas cinco décadas desde que Portugal encerrou sua ditadura, em 1974, uma eleição presidencial havia exigido segundo turno apenas uma vez, em 1986. O resultado revela como o cenário político se tornou fragmentado com a ascensão da ultradireita e o descontentamento dos eleitores com os partidos tradicionais do país.

Portugal é um regime semipresidencialista, em que o Poder Executivo é compartilhado entre o presidente e o primeiro-ministro. A presidência é um cargo em grande parte cerimonial, mas exerce alguns poderes importantes, incluindo a dissolução do parlamento, a convocação de eleições legislativas antecipadas e o veto a leis.

Campanha abalada pelas tempestades

Mais de 36 mil eleitores não puderam votar neste domingo em várias cidades onde as eleições foram adiadas até 15 de fevereiro devido às tempestades que atingiram o país nas últimas duas semanas. Entre as cidades atingidas estão Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, que sofreram graves inundações.

A votação também foi adiada em algumas seções eleitorais de Santarém, Rio Maior, Leiria, Cartaxo e Salvaterra de Magos. A passagem da tempestade Marta pelo país deixou um bombeiro morto no sábado.

O primeiro-ministro português, Luis Montenegro, disse que as chuvas causaram uma "crise devastadora", mas que as ameaças à votação seriam superadas. A lei eleitoral permite apenas o adiamento em localidades específicas.

rc (ots)