O Dia

Boas novas para Niterói no aniversário de 446 da cidade

Prefeito Rodrigo Neves anuncia projetos para o município, entre eles o início do Programa Segurança Presente no bairro do Barreto e R$ 300 milhões para o setor

Niterói completa 446 anos no próximo dia 22 e já tem presente à vista. Quem garante é o prefeito Rodrigo Neves (PDT), que irá lançar, no dia do aniversário da cidade, o Programa Segurança Presente no bairro Barreto, na Zona Norte da cidade, uma das áreas mais afetadas pela criminalidade. Em visita à redação de O DIA, Neves revelou que irá investir cerca de R$ 300 milhões em segurança pública até dezembro do ano que vem, quando termina seu segundo mandato. O chefe do Executivo ainda pretende garantir que 100% da população carente do município esteja assistida pelo programa Médico da Família.

“Hoje não há dúvida de que Niterói voltou a ser a melhor cidade para se viver no Estado do Rio”, garantiu o prefeito. “Nós elaboramos um programa de segurança muito importante, o Pacto Niterói Contra a Violência, que uniu todas as forças de segurança. Hoje o município reduziu os números na criminalidade e vai continuar reduzindo. A parceria entre prefeitura e governo do estado, em que incluímos as polícias Civil e Militar e o Ministério Público, vem ajudando Niterói a atingir números extraordinários. Por isso, o Programa Segurança Presente vai chegar ao Barreto, região que divide nossa cidade com o município de São Gonçalo”.

Atualmente, o programa Segurança Presente já funciona em bairros como Icaraí, São Francisco, Fonseca e Centro.

Rodrigo Neves esclareceu que, em 2013, quando assumiu o Executivo, encontrou uma prefeitura em situação de crise, entretanto se esforçou para entregar ao próximo prefeito uma cidade com garantias de trabalho.

“Quando assumi havia a percepção de que a cidade estava num momento descendente. Esse processo de crise vinha desde a tragédia do Bumba, em 2010, que fez com que a administração da cidade ficasse desorganizada e feriu nosso orgulho. Então, em 2013, Niterói estava endividada, com administração pública desestruturada e não tinha projeto de curto, muito menos de médio e longo prazos. Conseguimos mudar. Antes ficava assustado em saber como iria cuidar dos meus filhos nessa cidade. Hoje, terei orgulho de aproveitar ao lado da minha netinha”.

ENTREVISTA

Investimentos com retorno para a população

O que o próximo prefeito vai encontrar ao assumir a cidade?
Em primeiro lugar, acho muito importante fazer essa celebração dos 446 anos de Niterói. Poucas cidades no país têm toda essa história, o que orgulha muito a todos os seus habitantes, sobretudo porque chega a essa idade com muito dinamismo, muito moderna e se preparando para seus novos desafios. A cidade evoluiu da 58ª para a 1ª posição em gestão fiscal no Rio de Janeiro; zeramos a dívida líquida da prefeitura, única cidade nessa situação no estado; estamos deixando um fundo de investimento, até 2020, de mais de R$ 1 bilhão. Atravessamos a pior crise do país, desde 2013, e hoje tem as contas públicas organizadas e capacidade de investimento.

Em termos de obras, o senhor conseguiu entregar projetos que estavam parados…

O adensamento das cidades tem trazido problemas no que diz respeito a áreas como segurança pública, mobilidade urbana, poluição e problemas sociais. O grande desafio que nos propusemos a enfrentar foi potencializar o que a cidade pode ofertar aos cidadãos em termos de espaço de convivência, oportunidades de desenvolvimento pessoal e econômico, cultura etc. Niterói sofreu muito com o advento das UPPs na cidade do Rio na década passada. Houve migração de criminosos para a Região Metropolitana do Rio, e Niterói não é uma ilha nesse contexto. Hoje, estruturamos um plano, chamado Pacto Niterói Contra a Violência, que trabalha a prevenção à violência a partir de uma abordagem multidisciplinar e integrada de inteligência. Nós temos, hoje, o único sistema de monitoramento para segurança pública no estado, em todos os bairros de Niterói, similar a Madri e a Londres, trabalhando com inteligência artificial, identificando suspeitos preventivamente. Temos, também, parcerias com Ministério Público, com as polícias Civil, Militar e Federal, com o Disque-Denúncia – hoje, Niterói é a única cidade da Região Metropolitana que tem um departamento dentro do Disque-Denúncia. Enfim, aplicamos atualmente, apenas no policiamento, R$ 50 milhões por ano, o maior investimento de uma cidade do país em segurança pública (Niterói é responsável pelos custos com o Programa Niterói Presente, do governo do estado).
Que outras ações foram feitas nessa área?
Além disso, dentro dessa agenda de prevenção à violência, realizamos um programa de desenvolvimento sócio-emocional nas escolas, para lidar com conflitos, coisa que não existe no Brasil; educação parental no Programa Saúde da Família, que é uma espécie de um curso que ensina os pais, sobretudo de classes populares, a desenvolverem o afeto, a acolhida; reabrimos todos os Cieps que estavam fechados pelo estado, tomados já pelo tráfico. Fizemos um investimento muito forte em frentes de trabalho para a juventude, como por exemplo o projeto Jovem Eco-Social, junto com a Firjan, em que recrutamos jovens de 16 a 22 anos, de favelas, para atuarem no reflorestamento de encostas. São investidos para isso R$ 14 milhões. Há dezenas de cursos profissionalizantes gratuitos já com acesso a centenas de jovens, que ainda recebem uma bolsa de R$ 750 por mês, mais vale-refeição e vale-transporte. Frentes de trabalho para a juventude.
Já há resultados mensuráveis a partir de todo esse esforço?

Resultados muito fortes e impactantes: nesse mês de outubro, enquanto houve uma redução de 4% de roubo de rua na Região Metropolitana do Rio, em Niterói essa queda foi de 50%. Também houve redução de 75% no roubo de veículos em Niterói. Zero letalidade violenta. Nós praticamente zeramos todos os indicadores de criminalidade. E uma boa notícia: no aniversário da cidade vamos expandir o Programa Niterói Presente para o bairro do Barreto, dia 22 de novembro.
E sobre mobilidade urbana?

Hoje a cidade tem seis túneis, dos quais quatro eu construí nesses últimos 5 anos. Implantamos o sistema integrado de transporte, o BHLS (Bus High Level Service), que é um VLT sobre rodas, acessando vias secundárias, prescindindo de baldeações, adequado à morfologia urbana de Niterói. Estamos concluindo, agora em dezembro, a integração de ciclovias da Zona Sul ao Centro de Niterói. Vamos lançar, agora, também no aniversário da cidade, o Plano Decenal de Mobilidade, com um novo ciclo de investimentos em transporte público e mobilidade.
E na área de educação?

Nos últimos 5 anos, segundo dados do MEC, Niterói fez o maior investimento em Educação no Brasil. Acredito que nós estamos no caminho certo, a despeito de melhorias que ainda precisam ser feitas.
Na área de Saúde, também houve avanços.

Seja no setor público ou privado há críticas sobre a qualidade de atendimento. Ainda na gestão ainda do ex-prefeito Jorge Roberto Silveira, em 1991, foi realizado um convênio de cooperação com Cuba para o Programa Médico de Família, que depois virou o Programa Saúde da Família. Estamos investindo para evitar que as pessoas tenham que chegar às filas dos hospitais. Quando eu assumi, tínhamos 50% da população de classe média baixa e pobre cobertas por esse programa. Hoje, com obras, inclusive que serão entregues agora, no aniversário de Niterói, como o Médico da Família na comunidade Coronel Leôncio, no bairro da Engenhoca, vamos chegar a cobrir 100% dessas faixas da população.