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Bivar, o capo do Nordeste

Apontado como possível operador de esquema de candidaturas laranjas do PSL em Pernambuco, Lucianio Bivar tenta comandar o partido a punhos de ferro

Crédito: Divulgação

NA LINHA DE TIRO O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, tenta resolver a crise do partido, quando ele mesmo está no centro das polêmicas (Crédito: Divulgação)

Após seu crescimento exponencial nas eleições do ano passado, o PSL saiu da condição de uma clássica sigla nanica, de aluguel, para se transformar em um partido gigante, com a segunda maior bancada na Câmara. O crescimento vertiginoso parece, porém, ter tido um problema colateral. O PSL cresceu antes de aprender a andar com as próprias pernas. Suas crises internas seguidas e os rolos que vão aparecendo nas campanhas em cada Estado, fazem o partido correr o risco de desabar a qualquer momento. Na presidência da sigla, o deputado Luciano Bivar (PE) tenta administrar as crises. O problema é que ele próprio está no centro da polêmica. Os problemas atribuídos ao ex-ministro Gustavo Bebianno, de estar envolvido nos recursos destinados à candidatas laranjas no Estado, podem ter a autoria do próprio Bivar. Pelo menos em Pernambuco, onde as denúncias de uso de candidaturas laranja se iniciaram, Bebianno aponta o dedo para Bivar. Segundo ele, as decisões de distribuição de recursos eram de cada diretório estadual. E, no caso de Pernambuco, diz Bebianno, o responsável é Bivar.

Em sua defesa, o deputado pernambucano pode argumentar que aceitou literalmente alugar — ou, pelo menos emprestar — o PSL para aninhar a candidatura de Bolsonaro. Já potencial candidato à Presidência, Bolsonaro procurava um partido. E exigia que aquele que o abrigasse, também aceitasse um pacote no qual passaria o comando para o advogado Gustavo Bebianno, agora desalojado do Ministério. Bivar aceitou o projeto. Deixou a presidência do PSL com Bebianno e foi tratar da sua candidatura em Pernambuco. Conforme o acerto, eleito Bolsonaro, Bebianno entregou-lhe novamente o comando do partido no final do ano passado.

O início da crise que derrubou Bebianno diz respeito à denúncia de que Maria de Lourdes Paixão, candidata a deputada no Recife, recebeu R$ 400 mil do fundo partidário e utilizou R$ 380 mil em uma gráfica de fachada. Em seguida, surgiram revelações de que sete candidatos do partido em Pernambuco repassaram R$ 1,2 milhão para uma empresa de um dirigente do partido no Estado. Eram as principais informações da existência de um expediente que se repetiu em outros Estados, como Rio e Minas Gerais.

A GRÁFICA DOS ESQUEMAS Na Vidal Comunicação, situada num bairro de subúrbio humilde, R$ 1,2 milhão do fundo de campanha foram movimentados (Crédito:João Valadares/Folhapress)

Campanha milionária

Embora ainda não esteja provado que Bivar é o responsável pelo laranjal pernambucano, o certo é que algo o levou o PSL do Estado a ser aquinhoado com uma boa fatia de recursos na distribuição das verbas de campanha do partido à nível nacional. Enquanto a maior parte das campanhas do PSL recebeu pouco dinheiro, ISTOÉ apurou que Bivar teve nada menos que R$ 1,8 milhão para gastar na sua campanha de deputado federal. Os recursos repassados a ele representam 19,5% de tudo aquilo que o partido tinha direito no ano passado.

Enquanto sobram pessoas que declaram ter trabalhado de graça nas campanhas — até na campanha do próprio presidente Jair Bolsonaro —, a prestação de contas de Bivar mostra que ele gastou R$ 17,5 mil com segurança paga. Seu comitê de campanha funcionou em um galpão de 2,3 mil metros quadrados, cujo aluguel foi de R$ 20 mil, com serviços de arquitetura que custaram R$ 2,4 mil. Os comícios de Bivar geraram gastos de R$ 100 mil com “produção de eventos, montagem e desmontagem de palcos, instalação de geradores, telões, sonorização”. A empresa Nox Empreendimentos foi contratada por R$ 250 mil. Pesa ainda mais sobre esse gasto o fato de a empresa pertencer ao filho de Bivar, Cristiano de Petribu Bivar.

Se isso não fosse suficiente, Bivar ainda é investigado por suspeita de caixa 2 nessa mesma campanha já milionária. Na investigação, os procuradores apuram indícios de ilicitudes e “contabilidade clandestina” de recursos eleitorais.

Durante esta semana, o próprio Bivar foi obrigado a dar explicações por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp para deputados federais. Conforme texto ao qual ISTOÉ teve acesso, Bivar afirma. “Só para esclarecimento interno, nosso candidato a presidente foi o majoritário no primeiro turno no Recife. Todos os panfletos de candidatos vinham estimulados pelo partido ao lado do candidato mulher ou homem, o nome do nosso candidato a presidente estaria junto. Ora. Se a lei nos faculta a isso, como iria perder a oportunidade de divulgarmos o nosso 17”, justificou Bivar aos seus parlamentares, sobre o esquema de laranjas em Pernambuco. “Desculpem o termo; só se fossemos estúpidos em fazer campanha sem visar nosso principal objetivo”, completa ele. Durante esta semana, Bivar também conversou com parlamentares para não perder apoio dentro do partido. Ele disse estar estudando medidas judiciais para tentar provar que não teve qualquer tipo de participação no esquema de candidaturas irregulares.

O problema, contudo, é que a vida de Bivar tem outros episódios mal explicados. Empresário, Bivar também envolveu-se em rolos no mundo esportivo. Ele mesmo chegou a afirmar que em 2001 pagou para que o jogador Leomar fosse convocado para a Seleção Brasileira na equipe que disputou a Copa das Confederações. A seleção era à época comandada por Emerson Leão. Ser convocado para a Seleção naturalmente valoriza o passe de qualquer jogador. Na época, Leomar jogava no Sport Clube Recife, time do qual Bivar foi durante anos o principal cartola. Na campanha do ano passado, Bivar parece ter valorizado o próprio passe. Resta saber, a que custo isso foi feito.

Os fios desencapados de Bivar

Reprodução / TV Globo

> Maria de Lourdes Paixão, candidata a deputada federal em Pernambuco, recebeu R$ 400 mil do partido e teve apenas 274 votos. Ela foi a terceira maior beneficiada no país, ficando atrás apenas do próprio presidente Bolsonaro. A revelação desencadeou uma crise no partido que culminou com a exoneração do ex-ministro Gustavo Bebianno

> Bivar contratou durante a campanha a empresa do próprio filho, a Nox Entretenimentos. Ele gastou R$ 250 mil em ações de divulgação. A procuradoria eleitoral de Pernambuco apura se houve desvio de finalidade na ação

> Ainda durante a campanha a gráfica Vidal, ligada a um dirigente do PSL, recebeu R$ 1,2 milhão do partido para prestar serviços a sete candidatos da sigla. O maior gasto foi justamente de Bivar, que pagou R$ 848 mil para a impressão de 5 milhões de santinhos e adesivos.

 

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