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Bispos do Pacífico colombiano denunciam ameaças e surto de violência

Bispos do Pacífico colombiano denunciam ameaças e surto de violência

Soldados da Infantaria da Marinha colombiana patrulham as ruas de Buenaventura, Colômbia, em 10 de fevereiro de 2021 - AFP


Quatorze bispos do Pacífico colombiano denunciaram nesta quinta-feira(4) ameaças contra membros da Igreja e uma nova onda de violência que envolve a população daquela região, em meio ao pior ataque de grupos armados desde a assinatura do acordo de paz com as FARC.

Depois de um encontro de dois dias em Buenaventura (sudoeste), padres católicos alertaram sobre as “ameaças contra a vida” do bispo daquela cidade, Dom Rubén Darío Jaramillo, e de “outros servidores da comunidade”.

Durante uma coletiva de imprensa virtual, os clérigos também denunciaram a violência crescente nos departamentos de Chocó, Valle del Cauca, Cauca e Nariño, que fazem fronteira com o Oceano Pacífico, e são alvo de disputas entre grupos que se financiam do narcotráfico.

“Nos dói profundamente que um bispo seja ameaçado simplesmente por expor o que todos nós vemos”, disse Omar Alberto Sánchez, arcebispo de Popayán.

O sacerdote garantiu que as “comunidades camponesas, indígenas e afro” da região são “submetidas ao domínio dos poderosos das armas, dos corruptos” e seus territórios “são confinados, semeados com minas e normas baseadas em princípios de guerra” .


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As regiões remotas da Colômbia sofrem a pior onda de violência desde que a paz foi assinada em 2016 com a então guerrilha das Farc.

Especialistas acusam o Estado de não ter atingido os territórios deixados pelos rebeldes, o que facilitou a consolidação dos grupos armados.

Dom Óscar Múnera garantiu que “mais de 70 padres” e freiras foram mortos em meio ao conflito. “A Igreja estabeleceu uma cota muito alta”, lamentou.

No início de fevereiro, centenas de pessoas protestaram em Buenaventura para exigir o fim da violência contra essa população de maioria negra e pobre.

Devido à sua localização estratégica, a região do Pacífico produz a maior quantidade de folha de coca do país, com 57.897 hectares plantados, de acordo com o último relatório da ONU em 2019.

Embora o acordo de paz tenha reduzido significativamente a violência, a Colômbia ainda não conseguiu superar um conflito que em seis décadas deixou nove milhões de vítimas entre os mortos, desaparecidos e deslocados.

Dissidentes das Farc, rebeldes do ELN, a última guerrilha reconhecida na Colômbia, e gangues de narcotraficantes de origem paramilitar lutam atualmente pelas rotas de exportação de cocaína, e obtêm renda da mineração ilegal e extorsões.

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