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Birmaneses feridos em protestos temem ir a hospitais da junta militar

Birmaneses feridos em protestos temem ir a hospitais da junta militar

Manifestantes birmaneses carregam um homem baleado pelas forças de segurança durante um protesto em Yangon em 17 de março de 2021 - AFP/Arquivos


Ferido a bala em uma manifestação pró-democracia, Maung Win Myo não trabalha há meses. Ele não pode pagar um médico particular, mas também não se atreve a ir a um hospital militar por medo de ser preso pela junta birmanesa.

Reprimidos com fuzis, metralhadoras e até obuses de morteiro, os manifestantes feridos têm poucas opções: hospitais públicos estão paralisados por greves contra o golpe, hospitais privados são caros e os militares são controlados por aqueles contra quem protestam.

Desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro que derrubou a líder civil Aung Saan Suu Kyi, grupos locais de direitos humanos contabilizaram mais de 800 mortos e milhares feridos pelas forças de segurança.

Entre eles, Maung Win Myo, um modesto condutor de bicitáxi que não trabalha desde março depois de levar um tiro na perna em um protesto.

“Não consigo ter uma boa noite de sono”, disse o jovem de 24 anos à AFP, apontando para um colchão jogado no chão do estúdio que divide com sua esposa e dois filhos.

A lesão na perna exige uma operação cara, quase US$ 1.000 no hospital privado onde ele buscou tratamento. Ele, que alimenta a família graças à solidariedade dos vizinhos, não tem esse dinheiro.

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– “Não sei como sobreviver” –

Normalmente reservados ao exército, os hospitais militares foram abertos ao público devido ao grande número de apoiadores do movimento de desobediência civil em hospitais públicos, em sua maioria completamente paralisados.

Mas, como Maung, alguns feridos desistem de buscar tratamento gratuito, temendo que seus ferimentos possam ser usados como prova de seu envolvimento no movimento de protesto.

“Eles têm medo de serem detidos”, disse à AFP Marjan Besuijen, líder da missão Médicos Sem Fronteiras em Mianmar.

Um relatório publicado por esta ONG no mês passado acusou a junta de implantar operações contra organizações que “prestam primeiro atendimento a manifestantes feridos”, além de “destruir suas instalações”.

A greve na administração pública e em outros setores como o financeiro colocou a economia do país à beira do abismo.

Retirar dinheiro em um caixa eletrônico requer horas de fila, às vezes em vão, e apenas para obter um máximo de US$ 120 por semana.

O marido de Ngwe Nu Nu levou um tiro no olho no final de abril, quando ia trabalhar em Myingyan, uma cidade no centro do país, 200 quilômetros ao norte da capital Naipidau. O principal provedor da família faleceu no hospital Mandalay dias depois.

“Agora não sei como sobreviver sem ele”, disse ela.

No quinto mês do governo golpista, o abastecimento de remédios está mais difícil e as alfândegas estão paradas.

Por um mês, “tivemos dificuldades em conseguir suprimentos para as operações” porque as reservas estavam esgotadas, disse um médico do Mandalay à AFP.

“Se isso durar, haverá um impacto maior nos pacientes”, declarou, sob anonimato.

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