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Biodiversidade no Delta do Paraná ameaçada por incêndios históricos

Biodiversidade no Delta do Paraná ameaçada por incêndios históricos

Vista aérea de terras secas queimando no delta do rio Paraná na província de Entre Ríos, Argentina, em 1 de agosto de 2020 - AFP

Punido por uma seca brutal, o Delta do Rio Paraná, na Argentina, um dos maiores e mais biodiversos do mundo, queima como nunca desde o início do ano.

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Somente nos primeiros sete meses de 2020, foram detectados mais de 11.000 focos de incêndio, segundo o Museu de Ciências Naturais Antonio Scasso, em uma região de cerca de 14.000 km2 cuja jurisdição é compartilhada por três províncias: Entre Ríos (80% do território), Buenos Aires (15%) e Santa Fé (5%).

Mais de 530 km2 de área úmida, uma área equivalente a quase três vezes a cidade de Buenos Aires, foi devastada, segundo estimativas do grupo de naturalistas de Santafesino, com base em imagens de satélite.

As chamas devastam a rica biodiversidade de um território onde mais de 700 espécies de plantas e animais coexistem, de acordo com a Universidade Nacional de Rosário e a Universidade do Litoral.

“As queimadas geram impacto imediato e outras que são percebidas apenas a médio ou longo prazo: mortalidade animal, perda de habitat natural para muitas espécies, empobrecimento de solos, poluição da água e do ar e incidência nas emissões que geram mudanças no clima”, explica Graciela Klekailo, da Universidade Nacional de Rosário.

– Pecuária na mira –

A pergunta que todos fazem é quem é responsável.

O ministro do Meio Ambiente da Argentina, Juan Cabandié, acusou os criadores de gado, que costumam usar o fogo para “limpar” as pastagens secas e regenerar as pastagens para o gado.

Cabandié, que sobrevoou a área várias vezes nos últimos meses, apresentou uma denúncia penal contra produtores e arrendatários de terra.

No entanto, os produtores rejeitam veementemente as acusações: argumentam que os incêndios também prejudicam sua atividade e culpam as autoridades por “falta de controle e negligência”.

Para Jorge Postma, também da Universidade Nacional de Rosário, a catástrofe se deve às condições naturais excepcionais deste ano, com uma seca e um baixo volume de água raramente visto do rio que os guaranis chamavam de Paraná (“Mar Pequeno”).

“Neste momento, o nível do rio Paraná no hidrômetro do porto de Rosário é de 80 cm, quando o normal para esta área nessa época do ano é de 3 ou 4 metros”, afirmou.

– “Me parte o coração” –

Javier Torres pertence a uma família na região de Victoria, em Entre Ríos, que produz mel há décadas.

Neste ano, 270 colmeias localizadas na região das Ilhas do Delta foram devoradas pelo fogo, sem que se saibam as causas do incêndio.

“Perdi 270 colmeias, algo que leva anos para ser construído e que levará anos para voltar a montar. Meu partiu o coração, não recebi ajuda de ninguém até agora”, disse à AFP.

Segundo a direção do vento, as principais cidades costeiras localizadas na margem oeste do rio, como Rosário, San Lorenzo ou Villa Constitución, são afetadas por uma densa fumaça que causa problemas respiratórios e alérgicos em um delicado contexto de saúde devido à pandemia de coronavírus.

Em junho passado, os pesquisadores da UNR descobriram que o ar de Rosário continha até cinco vezes mais partículas poluentes do que o permitido, grandes e pequenas. Isso é “particularmente grave no contexto de uma pandemia com características respiratórias”.

– Zona “esquecida” –

Embora a pecuária seja a atividade predominante no Delta, caçadores, pescadores e especuladores imobiliários também vivem na área.

Pablo Cantador, um importante ambientalista do grupo “El Paraná No Se Toca”, disse à AFP que a queimada descontrolada deste ano “é o resultado de décadas de esquecimento de áreas úmidas”.

Um conglomerado de organizações e universidades exige a sanção urgente da chamada Lei das Zonas Úmidas no Congresso. Segundo eles, permitirá ordenar os usos do território e garantir a saúde ambiental do Delta.

Até agora, entretanto, nas duas vezes em que o projeto foi apresentado, não obteve o apoio necessário.

Laura Prol, da Oficina Ecológica, pede às autoridades das três províncias e ao governo de Alberto Fernández que se encarreguem. “É o sistema de zonas úmidas mais importante da Argentina, dizemos aqui que é a nossa pequena Amazônia”, afirmou.

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