Bill e Hillary Clinton vão depor nos EUA sobre caso Epstein

Após acusarem republicanos de tentar proteger Trump, ex-presidente e ex-primeira-dama concordam em depor ao Congresso. Bill Clinton manteve contato com notório abusador nos anos 1990.Após resistência inicial, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton (1993-2001) e sua esposa, Hillary Clinton, aceitaram nesta segunda-feira (02/02) depor ao Congresso americano sobre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein .

A decisão os livra do constrangimento de uma eventual convocação compulsória, caso os parlamentares assim decidissem. O casal vinha sendo pressionado pelo Comitê de Supervisão do Congresso, sob liderança republicana, e disse esperar que outros sigam o exemplo deles.

"Eles estão ansiosos para estabelecer um precedente que se aplique a todos", declarou o porta-voz Angel Ureña, que representa o casal.

Se o Congresso tivesse aprovado a convocação compulsória do casal para prestar depoimento e eles descumprissem a ordem, estariam sujeitos ao pagamento de multa e até mesmo à prisão.

O casal Clinton havia rechaçado a investigação parlamentar, classificando-a como uma tentativa de proteger o presidente e rival Donald Trump, que é filiado ao Partido Republicano e também é mencionado nos arquivos do caso Epstein, mas apesar disso não foi convocado a depor.

O chefe da Comitê de Supervisão do Congresso, James Comer, confirmou que Bill e Hillary Clinton vão depor, mas disse que as datas e as condições exatas ainda não foram definidas.

Escândalo sexual que abalou os EUA

Condenado por aliciamento de menores e morto em 2019, Epstein tinha bom trânsito entre os ricos e poderosos e era famoso por promover festas regadas a sexo com mulheres jovens e até mesmo adolescentes em sua ilha particular, segundo denúncias apresentadas contra o milionário americano.

Epstein foi encontrado morto na sua cela em Nova York em 10 de agosto de 2019, antes de ser julgado por uma nova acusação, de tráfico sexual, o que alimentou inúmeras especulações de que ele teria sido assassinado para abafar um escândalo que envolvia figuras proeminentes do país.

A mulher dele, Ghislaine Maxwell, cumpre uma pena de 20 anos de prisão pelo seu envolvimento num esquema de exploração e abuso sexual de mulheres menores de idade.

As redes de relações de Epstein foram expostas com a divulgação de parte do material que subsidiou a investigação das autoridades americanas contra o magnata.

Em sua correspondência particular, os investigadores encontraram menções a Trump e a bilionários como o dono da Tesla, Elon Musk, e o fundador da Microsoft, Bill Gates, além de membros das famílias real britânica e norueguesa .

Trump prometeu, durante a campanha presidencial de 2024, revelações bombásticas sobre o caso Epstein, um bilionário de quem foi amigo durante décadas. Depois, o republicano mudou o discurso e passou a classificar o caso como uma farsa montada pela oposição democrata.

Pressionado pela oposição democrata, o governo Trump vem agora divulgando parte do material que subsidiou a investigação das autoridades americanas.

Na semana passada, o Departamento de Justiça publicou um novo lote de documentos contendo 3 milhões de páginas, 180 mil fotos e 2 mil vídeos.

Alguns parlamentares que fazem oposição a Trump acusam a Casa Branca de reter parte importante dos arquivos.

Os documentos divulgados até agora incluem fotos que mostram Epstein e Trump lado a lado em momentos de aparente descontração. As imagens, que vieram à tona em 2025, foram minimizadas por Trump.

"Todo mundo conhecia esse homem. Ele estava por toda Palm Beach. Ele tem fotos com todo mundo", disse à época.

Embora haja acusações contra ele nos arquivos de Epstein, Trump nunca foi formalmente denunciado e sempre negou ter feito qualquer coisa de errado. O republicano diz que manteve uma relação de amizade com o milionário, mas que rompeu com ele há muitos anos e que não sabia de seus crimes sexuais.

Epstein também esteve na Casa Branca diversas vezes nos anos 1990, quando Clinton era presidente. O ex-presidente também admitiu ter pegado carona em um jatinho do milionário, mas negou ter visitado sua ilha particular. Clinton nunca foi acusado de má conduta pelas vítimas conhecidas de Epstein. Já Hillary Clinton nega ter tido qualquer interação importante com Epstein.

Assim como Trump, até agora não há evidências que impliquem o casal democrata em crimes envolvendo Epstein.

ra/as (AP, AFP, Reuters, DPA)