WASHINGTON, 3 FEV (ANSA) – O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e sua esposa, Hillary, ex-secretária de Estado, irão prestar depoimento perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre o caso do bilionário pedófilo Jeffrey Epstein, no qual o ex-mandatário é citado.
O anúncio foi feito na segunda-feira (2) pelo chefe de gabinete adjunto de Bill, Angel Ureña, no X.
A confirmação chega após uma crise entre o casal e o comitê, quando, em janeiro, os Clinton denunciaram o presidente da entidade, o deputado republicano James Comer, de perseguição.
Como resultado, parlamentares do partido decidiram processar o ex-presidente e sua esposa por “desacato ao Congresso”, o que poderia render, além de multa, até um ano de prisão.
Às vésperas da votação para o processo, os Clinton voltaram atrás e decidiram colaborar com o Comitê de Supervisão.
“Eles [casal Clinton] negociaram de boa fé, vocês [comitê] não. Eles disseram a vocês sob juramento o que sabem, mas vocês não se importam. Porém, o ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão aí. Eles esperam estabelecer um precedente que se aplique a todos”, escreveu Ureña na rede social ao informar sobre o depoimento do casal, ainda sem data.
Com isso, a análise da resolução para apresentar uma queixa por desacato ao Congresso contra os Clintons foi adiada.
Segundo a presidente do Comitê de Regras da Câmara, Virginia Foxx, o órgão de Supervisão precisa de mais tempo “para esclarecer com os Clintons o que eles realmente estão concordando”.
De sua parte, Comer disse que irá “esclarecer os termos que eles estão aceitando e, em seguida, discutir os próximos passos com os membros” de seu “comitê”.
Até o momento, o Departamento de Justiça dos EUA divulgou mais de três milhões de páginas de arquivos, incluindo cerca de dois mil vídeos e 180 mil imagens pertencentes a Epstein, que morreu em uma prisão de Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores e mulheres.
Bill Clinton aparece em diversas fotografias com Epstein, assim como em uma banheira de hidromassagem com mulheres. No entanto, o material não traz qualquer informação adicional sobre as imagens.
No domingo (1º), o apresentador do Grammy, Trevor Noah, ironizou o caso ao mencionar que Clinton e o atual mandatário Donald Trump frequentavam juntos a ilha do pedófilo Palm Beach, onde muitos crimes sexuais aconteceram. O republicano, que também foi amigo de Epstein e citado em inúmeros arquivos publicados, negou o comentário e ameaçou processar Noah.
Além de Clinton e Trump, o filósofo Noam Chomsky, o ex-príncipe britânico Andrew e o empresário Bill Gates são algumas das personalidades que aparecem no material. (ANSA).