Economia

Bilionários mais bilionários

Com recuperação do valor de seus ativos entre março e julho, fortuna de 42 brasileiros cresce US$ 34 bilhões durante a pandemia

Crédito: Divulgação

Bolso recheado Joseph Safra continua na liderança dos brasileiros mais ricos, seguido por Jorge Paulo Lemann (à esq.) e Eduardo Saverin (à dir.) (Crédito: Divulgação)

Dinheiro chama dinheiro, já diz o ditado popular. E, enquanto mais de um milhão de pessoas perderam seus empregos e quase metade da população já está na informalidade no Brasil, alguns poucos conseguiram elevar seu patrimônio na pandemia. Na maior crise mundial deste século, bilionários da América Latina e Caribe viram sua riqueza crescer em US$ 48,2 bilhões. Dos 73 bilionários da região ,42 estão no Brasil e tiveram suas fortunas aumentadas em US$ 34 bilhões, com seu patrimônio líquido subindo de US$ 123,1 bilhões para US$ 157,1 bilhões em julho.

As contas não vão fechar enquanto os mais ricos não começarem a pagar a sua parte. A taxação
das fortunas é imprescindível, segundo a Oxfam

Os dados foram calculados pela Oxfam, com base na lista de bilionários elaborada pela Forbes e publicada no início deste ano. A ONG analisou a evolução da riqueza entre 12 de março (início da derrocada das bolsas em todo o mundo) e 12 de julho e detectou que os ricos ficaram mais ricos na crise porque sua fortuna vem de ativos e não do trabalho. Muitos mantêm participações em empresas, imóveis e ações de companhias de capital aberto, que até despencaram no início da crise, mas voltaram a subir nos meses seguintes, recuperando as perdas. “Quem está na bolsa tem chance de gerar dinheiro em cima de aplicações financeiras, enquanto 52 milhões de pessoas podem ficar abaixo da linha da pobreza na América Latina”, explica a diretora executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia.

Só para se ter uma idéia do que isso representa, os US$ 48,2 bilhões de crescimento da fortuna dos mais abastados equivale a mais de um terço do total de pacotes de estímulo de todos os países da América Latina e Caribe juntos ou ainda a nove vezes os empréstimos de urgência do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a região, segundo cálculos da ONG em seu estudo “Quem paga a Conta?”. No relatório, a Oxfam indica que as contas não vão fechar nesta parte do mundo enquanto os mais afortunados não começarem a pagar sua parte. A entidade aponta que é cada vez mais urgente que haja o que chama de taxa solidária, cobrada de quem tem mais.

Para Katia, a reforma tributária enviada pelo governo ao Congresso, e mesmo as propostas que já tramitavam por lá, se concentram apenas na simplificação dos tributos. Mas nenhuma prevê impostos sobre grandes fortunas, lucros e dividendos, ou revisão de benefícios tributários para grandes empresas. “Há vários mecanismos para se ter uma divisão mais justa desse dinheiro”, acrescenta a diretora da Oxfam. A entidade estima que a perda de receita tributária em 2020 pode chegar a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe, o que representa US$ 113 bilhões a menos e equivale a 59% do investimento público em saúde em toda a região. Esse colapso da receita tributária torna a necessidade de medidas para se evitar o desmantelamento dos serviços públicos na região, prevê a ONG. Para a Oxfam, é preciso uma mudança de postura do Congresso frente à calamidade que está ocorrendo, já que o desenvolvimento só funciona quando todos participam. Um bom exemplo disso são os R$ 600 concedidos à população carente que, segundo Katia, fez uma grande diferença na economia.

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Os mais ricos

A lista dos Bilionários do Mundo em 2020, divulgada em março pela Forbes, revelou que o número de brasileiros no clube dos sete dígitos caiu de 58 para 45 – pouco acima dos 42 registrados em 2018 e bem abaixo do recorde de 65 de 2014. No total, os brasileiros detêm um patrimônio conjunto de US$ 127,1 bilhões, ante os US$ 179,7 bilhões em março de 2019, quando o dólar valia R$ 3,84. A desvalorização do real provavelmente é a responsável pela queda. Como no ano passado, Joseph Safra é o brasileiro mais rico, com US$ 22,9 bilhões, passando de 31º lugar em 2019 para 39º lugar no ranking mundial. Jorge Paulo Lemann, um dos sócios da maior cervejaria do mundo, a AB InBev, fica na vice-liderança, com US$ 17,3 bilhões e a 129ª posição na lista global. Entre os novatos na lista, aparece Alexandre Behring, cofundador e sócio da empresa de investimentos 3G Capital e presidente da Kraft Heinz. Outro estreante é o empresário Luciano Hang, proprietário das lojas Havan e um dos mais efusivos cabos eleitorais do presidente Jair Bolsonaro. Ele aparece em 7º lugar com uma fortuna de US$ 3,6 bilhões, mais de 157% acima dos US$ 1,4 bilhão de 2019. Hang, definitivamente, ganhou muito na defesa do presidente.

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