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Biden quer agir com rapidez, mas julgamento de Trump pode complicar sua agenda

Biden quer agir com rapidez, mas julgamento de Trump pode complicar sua agenda

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, em 16 de janeiro de 2021, em Wilmington, Delaware - AFP

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu agir com rapidez para conter a pandemia de covid-19 e a crise econômica assim que assumir o cargo na quarta-feira, mas seus esforços para unir o país podem ser minados pelo julgamento político contra Donald Trump.

Biden já anunciou que reverterá de imediato algumas das políticas mais controversas de Trump, o que pode fazer por decreto.

Ele se comprometeu a voltar ao acordo de Paris sobre as mudanças climáticas “no dia um”. Trump anunciou em 2017 seus planos de deixar o pacto, o que gerou críticas em todo o mundo.

O presidente eleito também jogará por terra imediatamente a proibição imposta por seu antecessor de voos de vários países muçulmanos, uma medida considerada islamofóbica.

Em suma, o início do governo Biden se anuncia muito ativo. Em um comunicado divulgado no sábado, ele prometeu que em seus dez primeiros dias, emitirá “dezenas” de decretos.


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Mas se Biden pode fazer muitas coisas com uma simples assinatura, há situações que não dependem exclusivamente da Casa Branca.

O julgamento político de Trump no Senado certamente complicará os esforços para unir os americanos na resposta à covid-19 e pela recuperação econômica.

A Câmara de Representantes acusou Trump de incitar uma insurreição depois que ele incentivou, em 6 de janeiro, uma multidão de apoiadores a marchar rumo ao Capitólio, que invadiram violentamente pouco depois.

O primeiro julgamento político de Trump, iniciado no fim de 2019, acusado de pressionar a Ucrânia para desacreditar Biden, foi resolvido em 21 dias.

Se o atual durar o mesmo tempo, certamente ofuscará os planos ambiciosos de Biden para seus cem primeiros dias.

De qualquer forma, o presidente eleito apelou para sua experiência de 36 anos no Congresso para se mostrar confiante em que os legisladores poderão se ocupar das duas coisas ao mesmo tempo.

“Espero que a liderança do Senado encontre uma forma de lidar com suas responsabilidades constitucionais no julgamento político a tempo de trabalhar nos outros assuntos urgentes desta nação”, disse pouco depois da acusação da Câmara de Representantes.

Ele sugeriu que o Senado, que será controlado pelos democratas a partir da quarta-feira, utilize metade do tempo para o julgamento e o restante para confirmar seu gabinete, algo prioritário.

As sessões de confirmação vão começar na terça-feira em um Capitólio que se assemelha a uma zona de guerra em meio a renovadas medidas de segurança implementadas pela polícia e pela guarda nacional.

Os primeiros na fila para a confirmação são Alejandro Mayorkas (Segurança Interna); Janet Yellen (Tesouro); Lloyd Austin (Defesa) e Antony ‘Tony’ Blinken (Estado ou Relações Exteriores).

– Ajuda econômica –

Biden detalhou na quinta-feira um plano de 1,9 trilhão de dólares para enfrentar o que chamou de “as crises gêmeas da pandemia e da economia que naufraga”.

O plano prevê pagamentos de 1.400 dólares às pessoas abaixo de certos níveis de renda, o aumento do salário mínimo para 15 dólares a hora, a extensão dos seguros-desemprego e nova assistência a cidades e estados atribulados.

A proposta, que inclui o terceiro pacote de ajuda para os americanos desde que começou a pandemia, também estende a proibição de execuções de hipotecas ou aluguéis não pagos até o fim de setembro, e fornecerá fundos para reforçar o programa de rações de alimentos.

– Investimentos maciços –

A fase inicial da assistência para a renda será seguida nas semanas posteriores de um novo plano de investimento para reativar a economia.

Biden disse que vai criar milhões de empregos “bem pagos”, responder à crise do clima e enfrentar a desigualdade racial.

Estas metas serão alcançadas, explicou, através de novos investimentos maciços na infraestrutura do país e por meio de um plano ambicioso para reduzir as emissões de carbono até alcançar um ponto de neutralidade em 2050.

Tudo isso será financiado com um aumento dos impostos corporativos e dos impostos pessoais a indivíduos que ganharem mais de 400.000 dólares por ano.

– Plano para a covid-19 –

O presidente eleito quer acelerar a campanha de vacinação e chegar a milhões de americanos em um país que tem recordes mundiais no que diz respeito a contágios e mortes, e que provavelmente alcançará os 400.000 óbitos quando Biden for empossado na quarta-feira no Capitólio.

Trata-se de outro plano ambicioso: vacinar 100 milhões de pessoas nos primeiros cem dias de governo. Para isto, ele quer criar centros de vacinação locais, melhorar a cooperação entre o governo federal e os estaduais e mobilizar 100.000 trabalhadores da saúde.

Biden também quer ajudar restaurantes, bares, hotéis, companhias aéreas e outros negócios a voltar o quanto antes à normalidade ou a algo parecido à normalidade.

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