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BF Capital: ‘mortalidade’ de projetos de saneamento desincentiva investidor

A grande quantidade de projetos de saneamento gerados via Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) que ficam pelo caminho tem desestimulado os investidores privados, segundo Renato Sucupira, presidente da BF Capital. “Vemos muita intenção e pouca efetivação. E mesmo quando os municípios recebem as PMIs elaboradas pelo privado, vem outro problema, que é a capacidade deles de verificar esse projeto, colocar o edital na rua”, disse, em seminário sobre saneamento realizado em São Paulo.

Nesse contexto, Sucupira aponta que os investidores têm evitado participar de PMIs – seja porque veem nisso um “desperdício” de recursos, seja por questões de compliance, com as empresas buscando participar apenas de processos “transparentes” e “idôneos”.

Embora ainda tenha muito para avançar, movimentações recentes têm atuado para melhorar o ambiente setorial, destaca o presidente da BF Capital. Em sua avaliação, a medida provisória 844/2018, assinada no início de julho pelo governo federal, endereça algumas deficiências do marco regulatório do setor – que, “não é ruim”, opina, mas está muito aquém, em termos de confiabilidade, do de outros setores, como o elétrico.

“No setor elétrico, a TIR é de um dígito, os deságios que vemos nos leilões de linhas de transmissão refletem um marco regulatório muito forte, que traz o investidor, inclusive estrangeiro”.

Mesmo assim, Sucupira destaca que o setor de saneamento ainda se mostra atrativo à iniciativa privada e há apetite em investir. “A geração de caixa é boa, oferece retorno atrativo, mas a competição é baixa porque você tem poucas empresas privadas ainda. Temos recebido muitos novos entrantes, estrangeiras, que podem vingar”, complementa.