Mais de 3 milhões de beneficiários de programas sociais federais, como o Bolsa Família, já foram impedidos de abrir ou manter contas em sites de apostas de quota fixa, conhecidas como “bets”, no Brasil. A medida, implementada por meio de uma nova funcionalidade do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) em outubro de 2025, visa proteger pessoas em situação de vulnerabilidade. A iniciativa segue uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de novembro de 2024 para coibir o uso de recursos de programas sociais em jogos online.
- Mais de 3 milhões de beneficiários de programas sociais, incluindo Bolsa Família, estão bloqueados de sites de apostas online no Brasil.
- O impedimento se deu por uma nova funcionalidade do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), implementada após decisão do STF.
- O objetivo da medida é proteger o orçamento familiar e a saúde mental de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), da Presidência da República, o bloqueio se tornou possível graças ao Sigap. Este sistema é uma plataforma tecnológica que permite a regulação, o monitoramento e a fiscalização do mercado de apostas no país, capaz de processar cerca de 500 milhões de registros diários e acumular mais de 5 milhões de arquivos operacionais em sua base de dados.
Quais programas têm beneficiários barrados?
Entre os impedidos de apostar, estão beneficiários dos seguintes programas:
- Bolsa Família;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Fundo de Financiamento Estudantil (Fies);
- programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil.
O Módulo Impedidos, que viabiliza o bloqueio, foi desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). A medida atende à determinação do STF, que em novembro de 2024, decidiu que o governo federal deveria adotar medidas para impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas on-line. Essa decisão visa evitar “impactos negativos sobre o orçamento das famílias e a saúde mental, especialmente de pessoas em situação de vulnerabilidade”. Nesse contexto, a fiscalização sobre o setor tem se intensificado, e a própria Fazenda já suspendeu 14 plataformas por falhas.
Como o bloqueio de acesso a plataformas de apostas funciona?
A Secom explica que é a partir das informações reunidas pelo Sigap que as empresas licenciadas identificam os usuários impedidos de se cadastrar ou de manter uma conta já cadastrada nas plataformas de apostas. A verificação automática é feita em tempo real, no âmbito do Módulo Impedidos, por cruzamento entre o CPF e outras informações fornecidas pelo usuário.
Quando o impedimento é identificado em conta já existente, a plataforma tem até três dias para encerrá-la e devolver ao usuário todo o saldo disponível. A decisão de negar cadastro ou encerrar conta é da própria operadora, sem intervenção manual no processo. O bloqueio não gera nenhuma outra penalidade ao usuário ou às empresas.