O renomado dramaturgo Benedito Ruy Barbosa faleceu nesta terça-feira, 7 de maio, aos 95 anos, em São Paulo. A morte foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde o escritor estava internado para tratamento de uma infecção urinária associada a um quadro de insuficiência renal crônica.
O que aconteceu
- Benedito Ruy Barbosa, renomado dramaturgo, morre aos 95 anos em São Paulo após tratamento de saúde.
- O autor deixou um legado importante na teledramaturgia brasileira, com obras como Pantanal e O Rei do Gado.
- Sua carreira, que começou no jornalismo, se estendeu por mais de cinco décadas, abordando temas rurais e sociais.
Considerado um dos maiores autores da televisão brasileira, Benedito Ruy Barbosa construiu uma carreira marcada por novelas que retrataram o interior do país, a vida no campo, a imigração italiana e os conflitos sociais brasileiros.
Entre suas principais obras estão Meu Pedacinho de Chão (1971), Pantanal (1990), Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e Velho Chico (2016). Ao longo de décadas, consolidou um estilo próprio, marcado por protagonistas de forte senso de justiça, histórias familiares e paisagens que se tornaram parte da narrativa.
De Gália para as telas do Brasil
Nascido em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior paulista, Benedito passou parte da infância na cidade de Vera Cruz, região marcada pela presença de comunidades de imigrantes italianos e japoneses e pela produção cafeeira.
Com a morte precoce do pai, Benedito começou a trabalhar ainda jovem para ajudar no sustento da família. Antes de ingressar na carreira artística, atuou em diferentes profissões, entre elas vendedor, auxiliar comercial e faxineiro, até conseguir emprego como revisor no jornal O Estado de S. Paulo.
Foi nesse período que iniciou sua trajetória como escritor. Seu primeiro romance, Fogo Frio, foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), abrindo caminho para a carreira como roteirista.
Sucessos que marcaram gerações
A estreia na televisão ocorreu em 1966, na TV Tupi, com a novela Somos Todos Irmãos. Depois, Benedito passou por emissoras como TV Excelsior, Record e TV Cultura. Em 1971, escreveu Meu Pedacinho de Chão, exibida simultaneamente pela TV Cultura e pela Globo, obra que marcou o início de sua projeção nacional.
Cinco anos depois, Benedito passou a integrar o elenco de autores da Globo, onde assinou produções de destaque na faixa das 18 horas, entre elas Cabocla, adaptação do romance de Ribeiro Couto.
O grande salto da carreira aconteceu em 1990, quando deixou temporariamente a Globo para escrever Pantanal, produzida pela extinta TV Manchete. A novela revolucionou a teledramaturgia ao privilegiar gravações em locações naturais e transformar a paisagem do Pantanal em elemento central da narrativa.
O sucesso da produção levou Benedito de volta à Globo, onde escreveu Renascer, em 1993. Décadas depois, tanto Pantanal quanto Renascer ganharam novas versões adaptadas por seu neto, Bruno Luperi.
Em O Rei do Gado, exibida em 1996, o autor abordou disputas familiares, imigração italiana e conflitos pela posse da terra, enquanto Terra Nostra, lançada em 1999, retratou a trajetória de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil no início do século XX.
Obras revisitadas: qual o impacto cultural?
Ao longo da carreira, Benedito também revisitou parte de sua produção. Em 2006, escreveu uma nova versão de Sinhá Moça. Oito anos depois, assinou a releitura de Meu Pedacinho de Chão, produção marcada pela estética lúdica e colorida.
Na ocasião, Benedito afirmou que conseguiu incorporar elementos que haviam sido vetados pela censura durante a ditadura militar na versão original da novela.
Seu último grande trabalho foi Velho Chico, exibida em 2016, ambientada às margens do Rio São Francisco e centrada em disputas familiares, políticas e fundiárias no sertão nordestino.
Com uma obra que atravessou mais de cinco décadas, Benedito Ruy Barbosa deixa um dos legados mais importantes da dramaturgia brasileira, tendo ajudado a consolidar narrativas que aproximaram o público urbano da cultura, da história e das transformações do interior do país.