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Beleza natural

Em uma era na qual nosso planeta demanda cuidado e atenção, ter uma boa aparência não depende apenas das escolhas certas quanto à própria estética. A beleza agora só é completa ser for também um compromisso ético

Beleza natural

Quando a visionária Anita Roddick (1942-2007) criou a marca de cosméticos The Body Shop, testar produtos em animais antes de liberá-los para o consumo humano era a regra na indústria da beleza. Ao abolir a prática, a pioneira empresária não apenas mudou as regras do mercado como levantou uma bandeira que 40 anos depois se tornaria a pedra angular de um negócio bilionário: a estética deve andar de mãos dadas com a ética.

De lá para cá, a semente plantada por Anita deu os mais variados frutos — não só no que diz respeito à preservação do meio-ambiente, mas também à inteligência social que as empresas do setor passaram a empregar. Há dez anos, a também britânica Lush criou uma loção cujo valor de venda (descontados os impostos) é 100% é doado para financiar organizações populares que trabalham pela proteção dos animais, pelos direitos humanos e por questões ambientais ao redor do mundo. O “Charity Pot” já distribuiu o equivalente a quase R$ 100 milhões em projetos desse tipo, incluindo iniciativas para recuperar as áreas degradadas pelo Rio Doce, em Minas Gerais, depois da tragédia da barragem que rompeu em Mariana.

Cuidar bem do planeta é um compromisso também das marcas francesas Caudalíe e L’Occitane en Provence. Enquanto a primeira dedica 1% de seu faturamento anual a projetos de reflorestamento em todo o mundo, a segunda mantém uma fundação dedicada a promover a emancipação econômica das mulheres em Burkina Fasso, na África, país que fornece matéria-prima para a marca.

Ao se engajar no cuidado com a natureza e com as pessoas, a indústria da beleza atende a uma demanda de consumidores antenados que escolhem marcas não apenas pelo que elas prometem como por aquilo que são capazes de entregar para o planeta e as futuras gerações. “Queremos influenciar um comportamento de consumo mais inteligente e ativista, colocando o consumidor como protagonista da mudança através de suas escolhas na hora da compra”, afirma Andrea Alvares, vice-presidente de Marketing, Sustentabilidade e Inovação da Natura, que desde 2014 tem o certificado B Corp, dado a um seleto grupo de empresas e organizações que associam crescimento econômico à promoção do bem-estar social e ambiental. Ter uma boa aparência, hoje, não é só uma questão de escolher o hidratante ou a maquiagem certa. É, acima de tudo, ficar com a imagem bonita perante o planeta.