BCE alerta para flexibilizações bancárias e vê riscos geopolíticos subestimados

A presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), Claudia Buch, criticou nesta quarta-feira, 18, qualquer flexibilização nas regulações de capital dos bancos e afirmou que a supervisão bancária necessita ser mais orientada por riscos. Ela alertou que os mercados financeiros estão subestimando os riscos geopolíticos no Oriente Médio, o que aumenta o potencial de vendas repentinas de ativos.

“Estamos avaliando se os padrões de concessão de crédito dos bancos continuam compatíveis com os riscos subjacentes”, disse Buch em discurso na Comissão dos Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu. “À medida que os bancos saem de um período de perdas relativamente baixas e enfrentam uma concorrência crescente, inclusive de instituições não bancárias, as condições de crédito podem se deteriorar”.

A dirigente apresentou ao parlamento europeu o relatório anual do BCE sobre as atividades de supervisão para 2028. Segundo ela, as ações de bancos recuaram desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, mas os movimentos do mercado têm sido ordenados, de forma semelhante ao que ocorreu ao longo do último ano, quando tarifas e guerras elevaram a incerteza.

“Isso é extremamente importante no atual contexto geopolítico, em que o conflito em curso no Oriente Médio acrescenta camadas de incerteza e volatilidade às projeções econômicas, afeta os mercados e pode prejudicar a qualidade do crédito”.

Buch também afirmou que o BCE irá submeter os maiores bancos a testes de estresse nos próximos meses, com especial enfoque para estes riscos. “Estamos pedindo aos bancos que identifiquem eventos de risco geopolítico que possam levar a uma redução do capital e que descrevam as medidas preventivas que podem adotar para reduzir esse impacto”, disse.