Economia

BC diz que usará todos os instrumentos para atingir meta de inflação em 2022


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reafirmou nesta quinta-feira que a instituição usará “todos os instrumentos” para atingir a meta de inflação em 2022. Divulgado nesta quinta pela manhã, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do BC trouxe projeção de 5,8% para a inflação este ano e de 3,5% para o próximo. Se estes porcentuais se confirmarem, o BC terá descumprido a meta de 2021, mas cumprido a de 2022.

Durante a entrevista coletiva, Campos Neto foi questionado sobre os efeitos da alta da Selic (a taxa básica de juros) sobre o custo da dívida pública. Ele lembrou que o aumento de juros “com credibilidade” leva a uma alta da parte curta do custo da dívida, mas permite a estabilização na parte longa.

Presente à coletiva, o diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, pontuou que o custo fiscal da rolagem da dívida pública não é um critério de política monetária, mas sim a inflação.

Campos Neto afirmou ainda, durante a coletiva, que existe um grande debate hoje entre os bancos centrais sobre se os choques de preços mais recentes serão temporários ou não. “Entendemos que alguns componentes dos choques são temporários”, afirmou.

Neste aspecto, Campos Neto disse que o BC adotou uma “comunicação forte” de política monetária a partir de março, quando iniciou o ciclo de alta da Selic, por entender que pode haver contaminação da inflação acumulada para o ano de 2022. “Olhamos como a inflação corrente contamina a inflação futura”, disse.

Comunicação da decisão de ajuste do Copom

O presidente do Banco Central negou nesta quinta que o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha elevado a Selic (a taxa básica de juros) em 0,75 ponto porcentual na semana passada somente por não ter comunicado previamente a possibilidade de um aumento maior. Durante coletiva de imprensa sobre o Relatório Trimestral de Inflação, ele foi questionado se, por ter avaliado uma alta “mais tempestiva” da Selic já na semana passada, o Copom já teria uma tendência de acelerar o aumento de juros em agosto. Parte do mercado financeiro tem projetado alta de 1,00 ponto porcentual da Selic na reunião de agosto.

Em resposta, Campos Neto citou os elementos que levaram o BC a aumentar a Selic em apenas 0,75 ponto na semana passada, apesar de ter discutido uma elevação maior. “Como explicitado, um elemento foi a ancoragem. E na ancoragem, olhamos tanto a parte de modelagem, quanto a parte de inflação implícita e a parte de expectativa dos analistas”, afirmou. “Discutimos bastante a parte da inflação implícita, (sobre) o que era técnico.”

O presidente do BC afirmou ainda que os membros do Copom discutiram “bastante a parte da transição de consumo de mais bens para serviços” e como isso iria impactar a inflação no Brasil. “Discutimos muito também a expectativa de preços na função reação”, acrescentou.

Em meio aos debates, conforme Campos Neto, o colegiado entendeu que era melhor fazer, neste momento, um ajuste de 0,75 ponto porcentual da Selic. “Eu só queria enfatizar que li alguns comentários de que grande parte da decisão teria sido tomada por não ter comunicado”, pontuou Campos Neto. “Queria enfatizar que isso não é verdade. A gente poderia ter comunicado. Tivemos muitas oportunidades para comunicar, mas esperamos porque achamos que esse debate sobre estes fatores era bastante enriquecedor e nos daria um horizonte de atuação mais eficiente.”

Fluxo estrangeiro e câmbio

O presidente do Banco Central disse ainda que as previsões de crescimento e maior estabilidade fiscal no Brasil têm atraído fluxos maiores de recursos estrangeiros, o que impacta no câmbio. “Fluxo de investimento no mundo procura crescimento e estabilidade fiscal, o que é positivo no Brasil. A valorização recente do câmbio é por um conjunto de fatores. O câmbio pode ter tido impacto positivo de notícias sobre reforma”, acrescentou.

Campos Neto ressaltou que não cabe ao BC avaliar qual a trajetória futura do câmbio. “Para BC, câmbio é flutuante, não fazemos projeção de câmbio”, completou.

Ele também disse que o mais relevante sobre o ajuste de juros nos Estados Unidos será a interpretação de como esse ajuste está ocorrendo e como será feito, se haverá, por exemplo, a percepção de que a autoridade monetária está “atrás da curva”.

Campos Neto acrescentou ainda que o BC não pode especular sobre cenários de energia, mesmo porque eles dependem de fatores naturais.

Funcionalismo

O presidente do Banco Central confirmou também que as projeções econômicas da autarquia para 2022 já levam em conta possível aumento salarial para o funcionalismo público.

Como informou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro encomendou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, um reajuste no salário dos servidores em 2022 – ano eleitoral. O aumento seria de 5%, com custo estimado de R$ 15 bilhões.

“Temos em nossas projeções cálculos com aumento do funcionalismo”, disse Campos Neto, sem detalhar qual é o porcentual considerado pelo BC e o impacto fiscal estimado. “Hoje em nossas projeções incorporamos, sim, um aumento para o funcionalismo em 2022.”

Durante coletiva de imprensa sobre o Relatório Trimestral de Inflação, Campos Neto também foi questionado sobre o impacto fiscal de uma extensão do auxílio emergencial na pandemia. Em resposta, ele afirmou que não cabe ao BC avaliar o espaço no teto de gastos para medidas como esta. “Se houver espaço no teto e o governo entender que há espaço suficiente (para mais gastos)…”, disse Campos Neto, ao tratar da questão.

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