Recentemente, Chaiany se emocionou ao conversar com Ana Paula ao relembrar sua passagem pela Casa de Vidro, quando disputou uma vaga no BBB 26 com Jordana. O que começou como uma recordação do jogo acabou se transformando em um mergulho em suas próprias feridas emocionais.
“O desacreditar de mim é algo que vem da infância. É muito difícil chegar aqui e ver todo mundo se assustando comigo, com meus traumas, mas mais difícil ainda é eu entender e esquecer o que eu escutei a minha vida inteira. Nem eu tinha noção de que eu era tão traumatizada assim até eu chegar aqui”, desabafou.
A goiana admitiu que, dentro do reality, a insegurança ganhou novas camadas. “O povo fala umas coisas com tanta certeza que vai tirando a gente. Às vezes eu fico em dúvida: ‘será que ela está certa? Que eu estou errada?’. É esse medo”, disse, visivelmente abalada.
Ana Paula tentou acolher a amiga e ponderou: “O peso é muito grande mesmo porque você perdeu para ela. Então, é natural você ficar com essa dúvida”. Ao mencionar os aliados de Jordana, Chaiany confessou: “Eu fico vendo esse tanto de amigo que confia nela”. A veterana, então, contrapôs: “Que nem no VIP ela está, pensa nisso também”.
Uma das falas que mais chamou atenção foi quando Chaiany afirmou que “o desacreditar de mim é algo que vem da infância”. A declaração desloca o olhar do público para além das estratégias, alianças e dinâmicas do jogo, evidenciando que, dentro da casa, também estão em disputa trajetórias pessoais, dores e marcas individuais.
A reflexão remete à ideia apresentada no livro O Que Aconteceu com Você?, de Oprah Winfrey em parceria com o psiquiatra Bruce Perry, que propõe uma mudança de perspectiva: em vez de perguntar “o que há de errado com você?”, a pergunta central passa a ser “o que aconteceu com você?”.
Sob essa ótica, a reação de Chaiany não se resume a um episódio específico do jogo. Trata-se de uma resposta emocional ligada a experiências anteriores. Quando ela questiona: “Às vezes eu fico em dúvida: ‘será que a Jordana está certa? Que eu estou errada?’”, o discurso revela um padrão de insegurança que pode ser ativado em contextos de pressão e julgamento coletivo.
Bruce Perry defende que traumas não se restringem apenas a grandes tragédias, mas também podem ser construídos a partir de experiências repetidas de invalidação, medo ou insegurança, que moldam o funcionamento emocional. Nesse sentido, o corpo e a mente aprendem mecanismos de autoproteção, como o descrédito em relação a si mesmo antes mesmo do julgamento externo.
No ambiente do reality, essa dinâmica tende a ser amplificada. A convivência intensa, a exposição constante e a formação de grupos reforçam sentimentos de comparação, pertencimento e medo do isolamento. Ao afirmar “eu fico vendo esse tanto de aliado que ela arrumou”, Chaiany expõe uma reação humana diante da percepção de validação coletiva do outro.
Especialistas costumam apontar que, em situações de insegurança emocional, a busca por validação externa se intensifica. Dentro do jogo, aliados passam a representar reconhecimento, enquanto espaços como o VIP assumem simbolicamente o papel de aceitação e pertencimento, indo além de benefícios materiais.
Nesse contexto, o conselho de Ana Paula — “para de pensar nisso” — surge como um gesto de acolhimento, ainda que simplifique um processo que envolve condicionamentos emocionais construídos ao longo da vida. Interromper esse ciclo exige, muitas vezes, um trabalho interno mais profundo.
Outro ponto relevante é quando Chaiany verbaliza: “Nem eu tinha noção de que eu era tão traumatizada assim até eu chegar aqui”. A fala indica um processo de tomada de consciência, frequentemente descrito na psicologia como o ato de nomear sentimentos e experiências como etapa inicial de elaboração emocional.
O BBB, frequentemente analisado como um laboratório social, também se revela, em diversos momentos, como um espaço de exposição emocional intensa. Para alguns participantes, os conflitos mais difíceis não são necessariamente estratégicos, mas internos, envolvendo autoconfiança, autoestima e memórias emocionais.
Embora Chaiany não tenha vencido a votação da Casa de Vidro, ela retornou ao jogo após superar o Quarto Branco e conquistar uma segunda oportunidade. O episódio reforça que novas chances podem representar recomeços importantes, mas também exigem o enfrentamento de inseguranças e marcas emocionais persistentes.
Em termos objetivos de repercussão, a participante também apresenta forte crescimento fora da casa: entre os pipocas, é a que mais ganhou seguidores até o momento, ultrapassando a marca de 3 milhões, enquanto Jordana ainda não alcançou 400 mil.
O cenário evidencia que resultados pontuais dentro do jogo não definem, necessariamente, a trajetória completa de um participante. Em última instância, a disputa que se desenrola pode ser menos sobre vitórias imediatas e mais sobre processos internos de confiança, amadurecimento e superação pessoal.