Edição nº2504 08.12 Ver edições anteriores

Batalhão de choque

A Associação dos Agentes de Segurança do Ministério Público Federal enviou denúncia para que a nova Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, investigue seu antecessor. Rodrigo Janot (foto) contratou, em 2014, quinze policiais militares do Bope de Brasília para fazer a segurança pessoal de Janot e do núcleo duro dos procuradores da Lava Jato, apesar da PGR possuir 850 agentes de segurança. Os militares do Bope custaram R$ 1,2 milhão por ano de gratificação. Cada um ganhava R$ 5 mil por mês e as diárias ultrapassavam R$ 10 mil. Em 2015, um cabo contratado por Janot chegou a ganhar R$ 24 mil, somando o salário e benefícios. Ele também foi generoso com 20 servidores de sua confiança, promovendo uma farra das diárias, que variavam de R$ 13 mil a R$ 86 mil. Mais um escândalo de Janot.

Escaldado

Não foi à toa que o tucano Bonifácio de Andrada foi escalado para relatar a denúncia da PGR contra o presidente Temer. Andrada é mineiro como Aécio. O Planalto não esquece que na primeira denúncia, 21 deputados do PSDB ficaram com o ex-procurador Rodrigo Janot. A denúncia pode ser mais frágil, mas a realidade está mais carregada.

Caixa forte

Mas há mais tensão na Câmara. São muitos os deputados que questionam a redução dos recursos do Orçamento para financiar as eleições. Eles argumentam que será difícil explicar para os eleitores. Como não têm dinheiro suficiente para a saúde, a educação e os programas sociais? E, como é que têm dinheiro para financiar suas campanhas?

Rebelião na Câmara

Jefferson Rudy

Os deputados ameaçam não aprovar o projeto de financiamento eleitoral do senador Armando Monteiro. Eles chancelam o uso de recursos das emendas do Orçamento, mas não se conformam que apenas 30% seja destinado às suas campanhas. Nos gabinetes, negociadores do Senado a da Câmara travam calorosos duelos. A Câmara ameaça não votar a criação do fundo eleitoral.

Rápidas

* Os líderes na Câmara dizem que o presidente da Casa, Rodrigo Maia, não assumirá a linha de frente, como fez o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, para aprovar o uso de R$ 1,7 bilhões de recursos públicos para financiar a campanha de 2018.

* O governo brasileiro importou há alguns anos 14 aviões não tripulados, os VANTs, para serem usados no combate ao tráfico na floresta amazônica. Várias dessas aeronaves estão paradas nos hangares da Polícia Federal. A manutenção das aeronaves é lenta, seu custo é elevado e a PF não tem dinheiro.

* Circula na Esplanada dos Ministérios um relatório mapeando todas as áreas indígenas e de proteção ambiental na região amazônica. Ele mostra a ocupação econômica desordenada que estas reegiões sofrem e sugere uma enérgica ação do governo federal para coibir essas práticas.

* O Planalto definiu o prazo. Quer a denúncia contra o presidente Temer votada, e rejeitada, até o dia 20 de outubro. A ordem é pé na tábua.

Retrato falado

“O PMDB tem muito tempo de TV e um ano e meio no governo” (Crédito:Tadeu Matsunaga)

Os dois partidos foram colocados no fundo do poço pela Lava Jato. Seus líderes estão na boca do povo. Mas o PMDB continua atraindo senadores e deputados para o partido. Enquanto ninguém quer saber de proximidade com o PT. Para o cientista político Antonio Lavareda, esta diferença não é de natureza política. Considera que o principal é que o PMDB tem tempo de TV para oferecer e por mais mal avaliado que esteja o presidente Temer, os candidatos do partido ainda tem um ano e meio de governo para se  servir.

A vida depois do escândalo

O ex-presidente da Andrade Gutierrez e delator da Lava Jato, Otávio Marques de Azevedo, deu palestra em Curitiba sobre os “efeitos do cárcere”. Ele ficou na cadeia por quase oito meses e cumpre prisão domiciliar. “Foi o pior dia da minha vida”, afirmou Otávio, ao lembrar de quando foi preso (14/7/2015). Ao final, depois de falar das dificuldades na cadeia, o executivo foi questionado se havia se arrependido. Otávio foi realista: “Frases de efeito não compram arrependimento. Eu não tenho nenhum tipo de atitude bonita. Não vou chegar aqui, me ajoelhar e dizer: ‘Eu me arrependi’. São meus atos, é o que eu faço no
dia a dia que pode dizer se tenho arrependimento ou não”.

Panela de pressão

Pelo menos dois senadores petistas, Paulo Paim (foto) e José Pimentel, e um tucano, Ricardo Ferraço decidiram que não votarão contra o STF no caso de Aécio. Paim explica que não tem a menor condição de votar contra o Supremo depois de ter votado pelo afastamento do ex-senador Delcídio do Amaral.

Divulgação

Na prateleira

Pessimismo entre os líderes do governo na Câmara com o futuro da reforma da Previdência. Dizem que é necessária, mas que
o Planalto não tem cacife para levá-la adiante mesmo depois de vencer a batalha contra a segunda denúncia envolvendo o presidente Temer. Os líderes já estão reivindicando que um conjunto de concessões seja definido.

Toma lá dá cá

Antonio Carlos Valadares, senador (PSB-SE)

Por que muitos parlamentares estão deixando o PSB?
Os que prometem sair entraram no partido quando Eduardo Campos era candidato a Presidente da República (2014). Eduardo precisava de palanques estaduais e abriu a porteira. Eles não tem compromisso com o PSB, tinham com o projeto de Eduardo Campos.

Quais são as razões políticas para esta sangria?
Nós, do PSB, estamos fora do governo Temer, e eles querem ficar. Além disso, há problemas eleitorais locais. O senador Fernando Bezerra, pai do ministro Bezerra Filho (Minas e Energia), é candidato ao governo estadual. E o governador Paulo Câmara (PE) é candidato à reeleição. Não quero ser indelicado, mas seria o caso de perguntar o que alguns destes parlamentares têm a ver com o partido.

Qual o peso dos socialistas no Congresso?
Governamos três estados. Somos quatro senadores. Hoje temos cerca de 32 deputados e vamos chegar às eleições com mais ou menos 24. Está havendo uma purificação do partido. Os que não defendem nossas idéias estão saindo naturalmente. As eleições de 2018 vão definir o nosso tamanho.

Mansão mal-assombrada

Divulgação

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), no Rio, decidiu suspender o leilão da mansão do ex-governador Sérgio Cabral na praia de Mangaratiba, avaliada em R$ 8 milhões. O leilão estava marcado para a próxima terça-feira 3. Cabral, que está preso em Bangu, conseguiu o adiamento. vai ter que devolver o que roubou.


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