Cultura

‘Barnum – O Rei do Show’ trata do mundo do circo e fala de diversidade


Inovador para alguns, manipulador para outros, o americano Phineas Taylor BarnuIm (1810-1891) foi, na verdade, um empreendedor que ficou rico e reconhecido por entreter as pessoas ao criar um museu itinerante que era uma mistura de circo e zoológico, contando com atrações exóticas, como o menor homem do mundo e a mulher de 160 anos de idade.

“Ele promoveu exibições de mau gosto que são reprováveis hoje em dia, mas seu trabalho é reconhecido como o princípio de uma tendência de entretenimento”, comenta Gustavo Barchilon, diretor artístico de Barnum – O Rei do Show, musical que estreia na sexta, 1º, no Teatro Opus, no shopping Villa-Lobos. “Nossa versão foi atualizada e traz questões pontuais, como a diversidade e a necessidade de se aceitar o diferente.”

Nesse sentido, Barnum (vivido por Murilo Rosa) contrata para seu circo Joice Heth, a mulher mais velha do mundo que é interpretada pela cantora recifense Diva Menner, uma mulher trans que estreia em musical. “É uma trans fazendo um papel cis”, comenta ela sobre viver um personagem feminino.

“Diva traz representatividade para nosso espetáculo”, acredita Giulia Nadruz, intérprete de Jenny Lind, cantora que seduz Barnum a ponto de fazê-lo trair a esposa, Chairy, vivida por Kiara Sasso, fechando a trinca de poderosas mulheres.

Desafio de unir o clássico ao contemporâneo

A inspiração circense domina a montagem de Barnum – O Rei do Show: já no foyer do teatro Opus, o espectador vai ter o primeiro contato com a atmosfera do espetáculo. “Trouxemos o circo para o musical”, observa o coreógrafo Alonso Barros, autor de números de impressionante vigor físico, com os atores e os artistas circenses praticando de danças que incluem saltos, trapézios e gangorras. “Está tudo organicamente unido: não há divisão entre acrobacias e passos coreográficos.”

Isso exigiu mais determinação do elenco, formado por atores e artistas de circo. “O mais difícil é manter o limite entre a comédia, a música, a coreografia e o circo”, comenta Murilo Rosa que, para viver Barnum, enfrenta novos desafios – como o de andar em uma corda-bamba. “Na verdade, todo o espetáculo é uma espécie de corda-bamba pelo desafio que impõe.”

Desde o início do projeto, os produtores Gustavo Barchilon e Thiago Hofman buscaram um espetáculo “old Broadway”, especialmente apoiados na partitura de Cy Coleman e nas letras de Michael Stewart da montagem original. Com isso, se afastaram da versão cinematográfica de 2017, com Hugh Jackman, considerada moderna demais por eles. “O desafio é contar essa história com a estrutura de teatro musical e que os números circenses surpreendam pela inventividade cênica e coreográfica”, comenta Barchilon, também diretor do espetáculo. “E esse ‘circo’ do espetáculo tem que ser orgânico para não parecer um ‘show de mágica’. A magia está em ser um musical que apresente a criação do maior espetáculo da Terra.”

E é nessa busca pelo equilíbrio entre estruturas, o espectador conhece a vida de Phineas Taylor Barnum, empresário do ramo de entretenimento para quem não havia limite a fim de atrair a atenção do público. “Barnum afirmava que o público entendia que era enganado, mas gostava disto pelo simples fato de alimentar o sonho e se afastar da rotina. A Barnum, o inventor do circo, é atribuída a famigerada frase ‘nasce um trouxa por minuto’. O público sabe que a mágica é uma enganação. E aplaude. Tirar proveito da curiosidade humana, do espanto e perplexidade se tornaria um negócio lucrativo no ramo do entretenimento.”

Para contrabalançar tal sensacionalismo, surge a figura de Chairy, esposa de Barnum que se destacava pela sensatez. “Ela era uma mulher muito evoluída para a época. Assumiu a turnê quando ele teve que se ausentar, era a favor do voto, lutava pela emancipação dos direitos trabalhistas, se demonstrava sempre muito forte”, conta Kiara Sasso, uma das principais atrizes do musical brasileiro e que assume o papel de Chairy. “É uma personagem muito diferente das que já interpretei, inclusive na voz, agora mais no grave.”

E o grande teste da altivez de Chairy acontece quando entra em cena Jenny Lind, a cantora lírica que fascina Barnum – tanto o empresário como o homem, a ponto de abandonar a família para acompanhá-la em uma excursão. “É uma personagem que chega de repente na história e provoca uma revolução”, comenta sua intérprete, Giulia Nadruz, que enfrenta o desafio de cantar em um trapézio. “Depois de um ano e meio parada, graças à pandemia, foi mais fácil encarar qualquer novidade.”

Giulia também destaca o equilíbrio com que o espetáculo apresenta a dúbia figura de Barnum. “Foi um ícone do circo, mas seus defeitos são evidenciados e as mulheres, como Chairy, o colocam em seu lugar.”

E, foi durante a pré-produção do espetáculo (que hoje conta com 23 atores e sete músicos), que Barchilon conheceu e escalou Diva Menner para o papel da mítica Joice Heth, a mulher de 160 anos e que teria sido babá do primeiro presidente americano, George Washington.



“Era preciso termos uma intérprete como Diva no musical – ela é mulher, trans, negra, nordestina, isso no país onde mais se matam representantes da comunidade LGBT+”, comenta o diretor. “Ainda discutimos a diversidade. Nos chocamos com ela. E tantas vezes precisamos encará-la para aceitar o que não nos é familiar.”

Inexperiente como atriz, Diva se surpreende com a mudança. “Para mim, é um novo universo, onde tanto preciso da voz mais aguda quando faço Joice como também mais sexy, quando canto Black and White.”

Como protagonista, Murilo Rosa praticamente não sai de cena e é graças a seu carisma que Barnum se torna um personagem cativante. “Claro que foi um homem de qualidades duvidosas e condenáveis, mas, ao mesmo tempo, era apaixonado pelas pessoas que trabalhavam com ele, pagando salários justos – era um vendedor de sonhos.”

BARNUM – O REI DO SHOW

TEATRO OPUS. AV. DAS NAÇÕES UNIDAS, 4777. 6ª, 20H30. SÁB., 17H/20H30,.DOM., 16H/19H30. R$ 50 / R$ 200. ESTREIA 1/10

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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