SÃO PAULO, 24 JUN (ANSA) – A prefeitura de Barcelona, na Espanha, anunciou que não planeja renovar as licenças já concedidas de mais de 10 mil imóveis atualmente alugados a curto prazo por turistas, quando elas expirarem em novembro de 2028.   

Se a medida for definitivamente aprovada, a autorização para alugueis turísticos de curta temporada será banida, atingindo principalmente apartamentos e casas que atualmente são reservados por meio de plataformas como o Airbnb e Homeaway.   

O anúncio foi feito pelo prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, que a decisão pretende “abordar estruturalmente o que [a administração municipal] acredita ser o maior problema” da cidade, como os preços proibitivos dos aluguéis, que aumentaram 68% na última década.   

De acordo com dados partilhados pelo próprio Collboni, em vez disso, o custo de aquisição de propriedades subiu 38%. Esses 10 mil apartamentos serão utilizados pelos moradores da cidade ou serão colocados à venda”, acrescentou.   

Há algum tempo várias cidades europeias – incluindo algumas italianas – começaram a traçar uma linha entre este crescimento das rendas e o aumento do número de apartamentos retirados do mercado imobiliário residencial para que possam ser alugados a turistas a preços mais elevados.   

Barcelona foi particularmente atingida, já que a Espanha é um dos três países mais visitados por turistas no mundo, juntamente com a França e os Estados Unidos.   

Para Collboni, a possibilidade de ter ou não habitação na cidade e, portanto, mais próxima dos serviços e das oportunidades de emprego, tornou-se um fator de desigualdade, especialmente entre os mais jovens.   

A ministra espanhola das Políticas Territoriais, Isabel Rodríguez, disse apoiar a decisão de Collboni, porque “é necessário fazer todos os esforços necessários para garantir o acesso à habitação acessível”.   

Para entrar em vigor, a medida precisará de maioria de votos na Câmara Municipal, mas isso não parece ser um problema. No entanto, é muito provável que os titulares das licenças de alojamentos turísticos e as associações comerciais que os representam ingressem com uma ação judicial contra a cidade.   

Barcelona não permite o registro de novos imóveis utilizados para arrendamento turístico desde 2014. (ANSA).