Brasil

Barata vai, Barata vem

Jacob Barata Filho, o “Rei dos Ônibus”, já foi preso três vezes nos últimos quatro meses, mas, com a complacência do ministro Gilmar Mendes, ele está livre, leve e solto

Crédito: Pablo Jacob

MALA PRONTA Barata Filho nem desfaz a bagagem quando chega do presídio, para onde sempre retorna (Crédito: Pablo Jacob)

É muito difícil hoje em dia afirmar com certeza se o empresário Jacob Barata Filho, conhecido como o “Rei do Ônibus”, está preso ou em liberdade. Denunciado na Operação Ponto Final, Barata Filho já teve sua prisão ordenada três vezes pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. E foi trancafiado nas três ocasiões pelo envolvimento no esquema de corrupção montado na área de transportes coletivos que movimentou R$ 260 milhões no governo de Sérgio Cabral. Mas passou pouco tempo na cadeia. Barata recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde conta sempre com o beneplácito do ministro Gilmar Mendes, que, com sorrateiras liminares, tem garantido seu direito de permanecer solto. Ou seja, sempre que o empresário é preso por Bretas, é libertado por Gilmar, que foi padrinho de casamento da filha do acusado.

Na sexta-feira 1º de dezembro, Gilmar Mendes, que nega qualquer intimidade com Barata e não se considera impedido para julgar o caso, voltou a interceder a favor do amigo. O ministro do STF relaxou a prisão decretada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Barata estava preso desde o dia 14 de novembro, quando a PF desencadeou a Operação Cadeia Velha, variante da Ponto Final, que também investiga desvios de verbas no transporte público do estado.

Sempre que Barata Filho é preso pelo juiz Marcelo Bretas, é libertado por Gilmar Mendes, padrinho de casamento da filha do acusado

A providencial ajuda de Gilmar começou na primeira prisão de Barata em julho. Ele foi detido pela PF no Aeroporto Internacional Tom Jobim ao tentar embarcar para Lisboa. No dia 17 de agosto, o ministro do STF concedeu habeas corpus ao dono de empresas de ônibus. Em resposta, o juiz Bretas ingressou com uma ordem de recolhimento do acusado com base em “fatos novos” apresentados pelo MPF. Mas, no dia seguinte, outra decisão de Gilmar revogou a prisão de Barata.

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Dodge pede prisão outra vez

A liminar mais recente concedida a Barata por Gilmar fez com que o juiz Marcelo Bretas ganhasse uma importante aliada. Na semana passada, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, encaminhou um agravo ao STF em que pede a restauração da prisão do empresário. Dodge argumentou que Gilmar não tinha competência para tomar a decisão sobre o habeas corpus, porque o ministro Dias Toffoli é o responsável pelas decisões sobre a Operação Cadeia Velha. Curiosamente, porém, o recurso será analisado pelo próprio Gilmar Mendes, deixando desde já uma pista sobre o que deve acontecer com Barata Filho.