Em Cartaz

Bangue-bangue à brasileira

Em “Bacurau”, Kleber Mendonça Filho e Juliano Machado retratam uma distopia sertaneja em estilo de faroeste

Crédito: Vicor Jucá

“Trata-se de um filme de gênero”. Assim o diretor Kleber Mendonça Filho define o longa-metragem “Bacurau”. Ele divide a realização com o colega Juliano Machado. “O gênero é faroeste, mas no sertão.” Se o cineasta italiano Sergio Leone criou o western spaghetti, os realizadores lançam um “western sarapatel”, que transcorre no futuro próximo em um arraial pernambucano, com lampejos de ficção científica. O vilarejo de Bacurau, antigo sítio de coiteiros do cangaço, sofre o ataque de facínoras americanos a serviço de uma multinacional de água. Diante do assassinato dos conterrâneos, a população local arranca das paredes as espingardas dos tempos do cangaço e parte para a desforra. Em uma das emboscadas das mais sangrentas jamais vistas na filmografia nacional, há evocações às cabeças decepadas do bando de Lampião. O filme venceu o prêmio do júri em Cannes e está calando fundo na plateia brasileira pelo teor politizado. A alegoria do Nordeste armado pode servir como um convite à rebelião contra o “inimigo” forasteiro, de falsos turistas paulistas a milicianos ianques. Estreia em 29/8.

Divulgação

1 curta e 2 longas de Kleber

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>> O som ao redor (2012)
O crescimento urbano de Recife gera milícias e tragédias íntimas

>> Aquarius (2016)
Clara (Sônia Braga) resiste às ameaças dee violência de uma imobiliária ao permanecer em seu apartamento dos 1970

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