Baleia encalhada na costa alemã se liberta pela 2ª vez, mas segue adoecida

Baleia encalhada na costa alemã se liberta pela 2ª vez, mas segue adoecida

"GruposJubarte fica presa duas vezes no Báltico enquanto tenta alcançar águas profundas. Resgate mobiliza autoridades, mas especialistas alertam para fragilidade do animal.A saga de uma baleia-jubarte que encalhou na costa do Mar Báltico, na Alemanha, continuou neste domingo (29/03), após ela conseguir se soltar de um banco de areia pela segunda vez e, apesar de já adoecida, tentar seguir seu caminho em direção ao Mar do Norte.

O mamífero marinho de 13,5 metros havia passado cinco dias preso na baía de Lübeck, perto do balneário de Timmendorfer Strand, e veterinários temiam por sua saúde à medida que o episódio se prolongava.

Agora apelidado de Timmy, o animal conseguiu se libertar do primeiro banco de areia na sexta‑feira, após dias de intensas tentativas de resgate. As equipes usaram equipamentos de terraplenagem para dragar um canal e permitir que o mamífero, preso também em uma rede de pesca, escapasse.

Contudo, um dia após se soltar, a baleia-jubarte ficou novamente encalhada, desta vez em um banco de areia na Baía de Wismar, também na Alemanha, a cerca de 40 quilômetros a leste de onde se encontrava anteriormente.

Após ser avistada parada novamente neste sábado, uma série de autoridades, cientistas e ativistas se dirigiram à Baía de Wismar para montar nova operação de resgate.

Desta vez, porém, a elevação do nível da água na baía facilitou o processo, e a baleia conseguiu retomar seu curso no fim da noite de sábado, disse um porta‑voz do governo estadual à imprensa alemã.

Longo caminho até o Atlântico

Uma flotilha da polícia marítima alemã agora acompanha o mamífero e mantém outras embarcações afastadas. Há riscos de que o animal volte a ficar preso nas águas rasas da baía, afirmam os ambientalistas que acompanham o caso.

Grupos de conservação usaram botes infláveis para formar uma espécie de barreira e impedir que Timmy voltasse a entrar em águas rasas, tentando guiá‑lo para áreas mais profundas. A esperança dos socorristas era garantir que ele chegasse ao Oceano Atlântico, seu habitat natural.

Contudo, o caminho tem sido dificultado devido ao estresse do animal, que já está adoecido e cansado, e segue "ziguezagueando" no oceano. Segundo o Instituto de Pesquisa de Vida Selvagem Terrestre e Aquática, não foi possível fixar um dispositivo de rastreamento porque sua pele está muito doente.

Animal adoecido tem dificuldade para seguir o caminho

Agora, conservacionistas alemães e equipes de emergência se preparam para atuar com velocidade caso o animal volte a encalhar, disse neste domingo o biólogo marinho do Greenpeace, Thilo Maack. "Ela precisa ser libertada rapidamente se quiser ter alguma chance", afirmou.

O estado da baleia‑jubarte se deteriorou significativamente nas últimas 24 horas, concordou Burkard Baschek, diretor do Museu Oceanográfico Alemão, em uma coletiva de imprensa em Wismar neste domingo.

Na última atualização de seu percurso, o animal foi visto deitado, aparentemente imóvel, soltando apenas ocasionalmente um jato de água para o alto, mas especialistas acreditam que, desta vez, não esteja encalhado. Dezenas de pessoas se reúnem no píer de Wismar na esperança de ver Timmy, cuja tentativa de voltar às águas profundas ganhou enorme repercussão na Alemanha.

Por outro lado, apesar de sua saúde comprometida, o estado nutricional da baleia ainda é considerado bom, indicou ao canal alemão ARD Stephanie Gross, do Instituto de Pesquisa de Vida Selvagem Terrestre e Aquática da Universidade de Medicina Veterinária de Hannover. Baleias‑jubarte podem sobreviver por semanas sem se alimentar.

Maior presença de baleias no Mar Báltico

O caso atrai grande atenção da mídia alemã desde que a primeira vez em que a baleia foi avistada pela primeira vez, na última segunda‑feira.

De acordo com a Fundação Alemã para a Conservação Marinha, o Mar Báltico normalmente não abriga baleias de grande porte. A razão mais provável para o aparecimento do animal na área, segundo o Museu Oceanográfico Alemão, é que ela esteja seguindo cardumes de peixes em busca de alimento.

Também é possível que o ruído subaquático esteja afetando sua orientação. As baleias jovens, em particular, gostam de explorar seus arredores. Várias baleias-jubarte foram avistadas na região somente em 2025. Segundo a Fundação Alemã para a Conservação Marinha, belugas, narvais e baleias-minke também foram avistadas no Mar Báltico nas últimas décadas.

O biólogo marinho do Greenpeace, Thilo Maack, afirmou que a pesca é outro problema global para mamíferos marinhos. Estimativas sugerem que cerca de 300 mil baleias e golfinhos morrem em redes todos os anos.

Equipes de resgate conseguiram remover parte da rede do animal nos últimos dias. Mas, segundo Gross, uma parte ainda está presa em sua boca e não pôde ser retirada.

rc/gq (DPA, AFP)