Edição nº2552 15/11 Ver edições anteriores

Balão Japonês

-Ai, você jura? — perguntou-me dia desses uma grande amiga, entre aflita e esperançosa, quando dei a minha opinião sobre o destino de Jair Bolsonaro em outubro próximo: “Sequer chega ao segundo turno”. Ela não está sozinha. Obviamente deixando de lado os seguidores do “mito”, a maioria dos brasileiros arqueja só de imaginá-lo posando com a faixa presidencial.

Convenhamos, levando-se em conta as barbaridades que o pré-candidato e seus filhos propalam quando se manifestam — sem falar no fato de o deputado ser despreparado como poucos para comandar o País —, tal reação não pode ser considerada descabida. Bem ao contrário, trata-se de um reflexo alvissareiro, mas que também explicita a nossa ignorância quando se trata de entender o panorama eleitoral e o seu funcionamento.

A minha descrença em relação ao projeto de Bolsonaro não se apoia em premissas exatamente novas. É sabida, por exemplo, a importância de um partido ou uma coligação em condições de proporcionar ao candidato um bom tempo de televisão durante a campanha. Não só isso, mas também de oferecer caminhos por onde essa máquina possa fazer chegar a sua imagem e plataforma de governo. E ele não poderá contar com nenhuma dessas duas.

Acima de tudo, porém, o candidato que já foi eleitor de Ciro Gomes e Lula não tem capacidade de travar um debate em alto nível sobre o Brasil. Histriônico, o máximo que conseguirá, quando a eleição de fato tiver início, será a pouco difícil tarefa de excitar sua aguerrida militância nas redes socais. Contudo, o debate abrange muito mais que a falsa dicotomia usada até aqui para catapultar a sua popularidade.

O candidato que já foi eleitor de Ciro Gomes e Lula não tem capacidade de travar um debate em alto nível sobre o Brasil. O máximo que conseguirá será excitar a militância nas redes sociais

É esse o grande erro tanto de seus apoiadores quanto de quem se assusta em demasia: imaginar que o brasileiro comum, historicamente decisivo para o resultado das eleições, passa a sua existência confinado no mundo virtual, e não apertado nos trens, faxinando residências ou servindo mesas País afora. Sem falar nos rincões mais afastados, onde conexões de internet decentes ainda estão longe de dar as caras.

– Espero que você tenha razão! —, disse ela ao final, ainda incerta em me dar crédito. E quem pode culpá-la? Um balão aceso nunca deixa de impressionar e o japonês em especial costuma subir rápido. Até que a bucha se apague. Então começa a cair bem depressa.

 


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