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Bairros nobres de São Luís obedecem ‘lockdown’; periféricos descumprem decreto

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Governador do Maranhão, Flávio Dino (Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil)

Com a declaração de “lockdown” em São Luís na terça-feira, 5, as ruas da capital maranhense deveriam estar mais vazias para evitar a propagação do novo coronavírus, mas não é o que tem acontecido. Apesar de o governo estadual e da Prefeitura da capital terem levantado cerca de 50 barreiras nas principais vias de tráfego da cidade, houve quem furasse o isolamento social. Foram registrados pontos de aglomeração e congestionamento, inclusive em um supermercado atacadista, inaugurado nesta quinta-feira, 7.

Nos bairros nobres de São Luís, onde a concentração de casos de covid-19 é a maior do Estado, no entanto, o distanciamento social e o fechamento dos estabelecimentos comerciais não essenciais têm sido observados. Na Península da Ponta d’Areia, onde está o metro quadrado mais caro da cidade, a movimentação de veículos praticamente se restringe aos caminhões-pipa, que entregam água potável aos condomínios de luxo da região, e a motos de delivery.

Em outros bairros de classe alta, como Ponta do Farol, Calhau e Renascença, a situação é parecida. A maior movimentação está em torno das farmácias, supermercados e petshops, estabelecimentos que estão autorizados a funcionar pelo decreto estadual nº 35.784, que estabeleceu o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais não essenciais por 10 dias – a medida vai até o próximo dia 14 de maio.

Na principal via do comércio de São Luís, a Rua Grande, no centro da cidade, as lojas cerraram as portas e a via ficou completamente vazia, assim como o Centro Histórico, onde está o conjunto arquitetônico com casarões tombados pela Unesco e pelo Iphan, que é considerado o principal atrativo turístico da cidade.

Os transporte público também apresenta queda no número de passageiros. Segundo dados da secretaria Municipal de transportes urbanos (SMTT) e da Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), o volume de passageiros caiu de 600 mil passageiros diários nos sistemas urbano e semiurbano da Ilha de São Luís para cerca de 90 mil passageiros. Foi este dado, inclusive, que levou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), a comemorar os sucesso do “lockdown” no Twitter.

“O lockdown é um sucesso. Houve gigantesca redução de movimentação de pessoas em toda a cidade. Basta olhar a Rua Grande, as avenidas por onde centenas de milhares circulam, a redução em 85% no número de passageiros de ônibus. Fiscalização está ocorrendo com ponderação e bom senso”, publicou Dino.

Em nota, o governo estadual reiterou o que tuitou o governador mais cedo. “O Governo do Maranhão enfatiza a adesão da população ao lockdown e sublinha a relevância da determinação na ilha de São Luís ao informar que houve redução de 85% do número de passageiros de transporte público. A Gestão Estadual reafirma a importância da participação popular na ação e agradece aos maranhenses que aderiram à medida”, dizia o comunicado.

A diarista Josiane Sá, de 48 anos, que mora no Coroadinho e está em isolamento social voluntário há 45 dias, contou que as pessoas que vivem em seu bairro estão tentando ficar em isolamento social, mas estão indo às ruas. “Há momentos em que não se vê ninguém na rua, mas parece que, de repente, muita gente sai de casa. Meus pais, por exemplo, moram aqui perto e não param em casa. Um dos meus filhos não fica quieto, sempre tem um motivo pra sair. Todos têm suas justificativas prontas”, afirmou Josiane, que mora com o marido e dois filhos, uma adolescente de 16 anos e um jovem de 20 anos, ambos estudantes.

Josiane ainda disse que o marido, que é pedreiro, também está desempregado e que o medo é do dinheiro acabar antes do fim da crise provocada pela covid-19. “Fizemos economias e ainda temos reservas, mas não são muito grande e logo vai acabar. Um alento é que ainda tem patrão pagando”, afirmou.

Em contraste ao que disse Dino e ao que se viu na área nobre da cidade, nos bairros mais periféricos, como a Divinéia, a circulação de pessoas é maior. Na feira do Mangueirão, houve registros de aglomerações e parte do comércio não cerrou as portas. Em outro ponto da cidade, na avenida Guajajaras, até um supermercado atacadista foi inaugurado nesta quinta-feira, 7, e também gerou aglomeração, apesar das tentativas de organizar filas com distanciamento e da entrada de clientes controlada.

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