Bad Bunny: de empacotador de supermercado a artista mais ouvido do mundo

De Porto Rico ao topo do pop mundial, artista faz sua primeira apresentação em solo brasileiro

Reprodução/Instagram.
Bad Bunny. Foto: Reprodução/Instagram.

Depois de uma década de trajetória, Bad Bunny finalmente fará sua estreia em solo brasileiro com a turnê do álbum Debí Tirar Más Fotos, trabalho que lhe rendeu o Grammy de Álbum do Ano. As apresentações do artista porto-riquenho estão marcadas para os dias 20 e 21 de fevereiro, no Allianz Parque, em São Paulo.

Bad Bunny ultrapassou há tempos a condição de sucesso da música latina para ocupar um lugar de destaque na cultura pop mundial. A escolha do artista como atração principal do Super Bowl LX, em 2026, marca um momento simbólico: pela primeira vez, um cantor latino solo assume o comando do espetáculo musical mais assistido do planeta.

Sua chegada a esse palco, porém, não foi rápida nem óbvia. A história começa em Porto Rico, longe dos grandes centros da indústria norte-americana e dos caminhos tradicionais do mercado. Mesmo assim, ele transformou sua origem, sua língua e suas experiências em elementos centrais da própria identidade artística.

Nascido Benito Antonio Martínez Ocasio, em 10 de março de 1994, na cidade de Vega Baja, o artista cresceu em um contexto simples e familiar. Pisciano, ele sempre demonstrou sensibilidade, intensidade emocional e inquietação criativa, características que hoje aparecem de forma clara em sua música.

A trajetória que o levou ao Super Bowl é marcada por decisões estratégicas. Uma das mais significativas foi manter o espanhol como principal idioma de suas canções, mesmo com a expansão internacional. Essa escolha não apenas impulsionou sua carreira, como também impactou a forma como a música latina passou a ser consumida globalmente.

Quem é Bad Bunny e por que ele se tornou um fenômeno mundial

Cantor porto-riquenho de alcance global, Bad Bunny conquistou o público sem abandonar o sotaque, a cultura e as raízes latinas. Seu sucesso quebrou um padrão histórico da indústria, que por décadas incentivou artistas latinos a migrar para o inglês em busca de reconhecimento internacional.

Ao seguir o caminho oposto, ele mostrou que músicas em espanhol também podem liderar rankings globais. Essa mudança reposicionou a música latina no cenário mundial e ampliou o espaço do gênero nas principais plataformas e paradas.

Com três prêmios Grammy na carreira, o artista acumula sucessos que atravessam fronteiras culturais, como “Tití Me Preguntó”, “Dakiti”, “Moscow Mule” e “Yonaguni”. A faixa “I Like It”, parceria com Cardi B e J Balvin, chegou ao topo da Billboard, consolidando sua presença no mercado internacional.

O álbum “El Último Tour del Mundo”, lançado em 2020, entrou para a história ao se tornar o primeiro disco totalmente em espanhol a estrear no primeiro lugar da Billboard 200. O desempenho se repetiu nos projetos seguintes, reforçando sua força comercial e artística.

Em 2026, ele atingiu outro marco relevante: “Debí Tirar Más Fotos” foi reconhecido como Álbum do Ano no Grammy, sendo o primeiro trabalho em espanhol a conquistar essa categoria. O feito consolidou definitivamente sua posição como um artista global.

Infância, família e as primeiras referências musicais

Bad Bunny passou a infância no bairro Almirante Sur, em Vega Baja, em uma família de classe média baixa. Seu pai trabalhava como caminhoneiro e sua mãe era professora de inglês, ambiente que misturava disciplina e incentivo cultural.

Ele cresceu ao lado dos irmãos mais novos, Bernie e Bysael, em uma casa onde a música sempre esteve presente. Ainda criança, participou do coral da igreja católica local, experiência que marcou seus primeiros contatos com o canto.

Por volta dos 13 anos, decidiu deixar o coral e começou a produzir suas próprias batidas. Improvisava rimas na escola e gravava no próprio quarto, que funcionou como seu primeiro espaço criativo.

As influências musicais eram variadas e fora do padrão esperado. Além do reggaeton, ele ouvia salsa, merengue e até rock internacional. Durante um período, chegou a citar os Bee Gees como uma de suas bandas favoritas. Entre as referências latinas, destacam-se nomes como Daddy Yankee, Vico C e Tego Calderón, que ajudaram a moldar seu estilo híbrido e autoral.

Estudos, trabalho e o início da carreira

Benito ingressou no curso de comunicação audiovisual no campus de Arecibo da Universidade de Porto Rico. Para custear os estudos, trabalhou como empacotador em um supermercado, conciliando rotina acadêmica, emprego e música.

Foi nessa fase que começou a publicar suas faixas no SoundCloud. Em 2016, a música “Diles” chamou a atenção de produtores e abriu portas na indústria, enquanto ele ainda trabalhava no caixa.

Após conhecer o empresário Noah Assad, sua estratégia profissional ganhou nova direção. Em vez de focar em contratos tradicionais com gravadoras, a aposta passou a ser lançamentos de singles e forte presença no YouTube, o que contribuiu para a construção de uma carreira mais independente.

Uma carreira construída fora dos padrões

O nome artístico Bad Bunny surgiu de maneira inusitada, inspirado em uma foto de infância em que aparecia fantasiado de coelho, com expressão irritada. A imagem acabou se transformando em identidade visual e marca registrada.

Em 2017, participou de diversos singles que ampliaram sua visibilidade, como “Pa Ti”, “Sensualidad” e “Loco Pero Millonario”. No ano seguinte, veio a consolidação internacional.

A música “I Like It”, com Cardi B e J Balvin, alcançou o topo da Billboard Hot 100, marcando sua primeira liderança global e fortalecendo sua presença no mainstream. Em dezembro de 2018, lançou o álbum de estreia “X 100PRE”, elogiado pela versatilidade sonora e identidade própria, além de premiado com o Grammy Latino de Melhor Álbum Urbano.

Depois disso, lançou o EP colaborativo “Oasis”, ao lado de J Balvin, que recebeu indicação ao Grammy e ampliou ainda mais seu alcance mundial, reforçando o protagonismo latino no pop global.

O Super Bowl como marco simbólico

Em 8 de fevereiro, Bad Bunny foi a principal atração do Super Bowl LX, realizado em Santa Clara, na Califórnia, tornando-se o primeiro artista latino solo a liderar o show do evento.

Em declarações sobre o momento, ele destacou que a conquista vai além de um feito individual. O palco representa cultura, história e o legado de gerações anteriores. Sua presença no espetáculo simboliza a consolidação da música latina em escala global.

Sua trajetória evidencia que a identidade também pode ser uma estratégia artística. Do trabalho no supermercado ao palco do Super Bowl, Bad Bunny não apenas construiu uma carreira singular, como também ampliou as possibilidades para uma nova geração de artistas latinos no cenário internacional.