Bad Bunny celebra diversidade e unidade da América no Super Bowl

Bad Bunny celebra diversidade e unidade da América no Super Bowl

"BadPorto-riquenho enaltece suas origens latinas e a América como continente no aguardado show de intervalo do Super Bowl. Trump responde em seguida.O cantor porto-riquenho de reggaeton Bad Bunny proporcionou uma festa latina em sua muito aguardada apresentação no intervalo do Super Bowl, a grande final da liga de futebol americano, neste domingo (08/02), em Santa Clara, na Califórnia.

Benito Antonio Martínez Ocasio cumpriu sua promessa de fazer os 75 mil espectadores que pagaram milhares de dólares por um ingresso em Santa Clara dançarem. Ele apresentou a cultura espanhola e latina, desde a colheita da cana-de-açúcar até um passeio por um bairro típico e um casamento, e encerrou com uma mensagem de união, do sul ao norte da América, o continente.

Longe do Levi's Stadium, mais de 100 milhões de pessoas assistiram pela televisão ao show do intervalo do Super Bowl, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, que rapidamente recorreu às redes sociais para criticar a apresentação.

Para Trump, "uma afronta à grandeza da América"

A performance de Bad Bunny, uma celebração da música e cultura latina num momento em que essa comunidade se sente ameaçada pela cruzada anti-imigração de Trump nos EUA, entrou imediatamente para a lista das apresentações mais icônicas do Super Bowl, que inclui superestrelas como Michael Jackson, Prince e Madonna.

Em San Juan, Porto Rico, muitos porto-riquenhos se reuniram para curtir o show de seu ídolo, um motivo de orgulho para eles.

Com a plateia ainda empolgada, Trump criticou a apresentação, dizendo nas redes sociais se tratar de "uma afronta à grandeza da América". O presidente assistiu ao jogo de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, e imediatamente foi às redes reclamar que "ninguém entendeu o que esse cara está dizendo".

Trump, que compareceu ao Super Bowl em Nova Orleans no ano passado, já havia rejeitado a programação musical com Bad Bunny e Green Day, ambos críticos do presidente, chamando-a de "terrível" e dizendo que "semearia ódio".

"Vou te levar para Porto Rico"

O "coelhinho malvado" iniciou seu show de 13 minutos com seu sucesso Tití me preguntó e agitou o Levi's Stadium com um medley de seus hits Yo perreo sola e Voy a llevarte pa PR.

O estádio havia sido transformado de gramado em plantação de cana-de-açúcar, num cenário que incluía também carrinhos de vendedores ambulantes, lojinhas, um casamento e uma caminhonete, tudo em estilo latino.

Vestido de branco, com uma versão caribenha de um uniforme de futebol americano com Ocasio (o sobrenome de solteira de sua mãe) e o número 64 nas costas, ele apresentou grandes sucessos de outros ícones do reggaeton, como Tego Calderón, Don Omar e Daddy Yankee, lembrando ao público que estavam ouvindo "música dos bairros e dos conjuntos habitacionais".

Enquanto isso, estrelas como Cardi B, Jessica Alba, Young Miko e Pedro Pascal dançavam na pequena casa que se tornou o palco de sua turnê DeBÍ Tirar Más Fotos. Agricultores, vendedores, dançarinos, camponeses, trabalhadores e famílias o acompanharam durante todo o show.

Bad Bunny levou um Grammy para dar a um menino que parecia ser um jovem Benito e que as redes sociais identificaram erroneamente como Liam Conejo Ramos, o menino de ascendência equatoriana recentemente detido pelas autoridades de imigração dos EUA. Uma fonte da NFL disse à agência de notícias AFP que a criança não era Conejo Ramos.

Lady Gaga e Ricky Martin

Ele prosseguiu com versões curtas de EoO e Monaco, intercaladas com uma mensagem inspiradora para a plateia: "Se estou aqui no Super Bowl 60 hoje é porque nunca deixei de acreditar em mim mesmo, e vocês também devem acreditar em vocês mesmos. Vocês valem mais do que pensam."

Em seguida, como uma grande surpresa, a estrela pop americana Lady Gaga apareceu com um vestido azul claro, cantando uma versão em estilo salsa de seu sucesso Die with a Smile, antes de emendar com Baile Inolvidable e Nuevayol.

O momento político da apresentação veio por conta de outro porto-riquenho, Ricky Martin, que cantou Lo Que Le Pasó a Hawái, considerado um hino da independência de Porto Rico, interrompido por uma explosão durante El Apagón.

A canção de resistência da chamada ilha do encanto, que Bad Bunny cantou agitando uma bandeira, protesta contra os problemas de infraestrutura que assolam Porto Rico, um território dos EUA desde 1898.

Após apresentar sua enérgica Café con Ron, Bad Bunny disse em inglês: "Deus abençoe a América" ​​e listou todos os países do continente, antes de jogar uma bola com a inscrição "Juntos somos a América" ​​e encerrar com DeBÍ Tirar Más Fotos.

No fundo do estádio, onde a equipe do Seattle Seahawks mais tarde derrotou o New England Patriots, foi exibida a mensagem "A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor".

Grammy e Super Bowl em espanhol

Benito, que já havia participado do Super Bowl como artista convidado ao lado de Shakira e Jennifer Lopez em 2020, chegou ao intervalo do Super Bowl após ganhar um Grammy histórico de Álbum do Ano uma semana antes por seu aclamado DeBÍ Tirar Más Fotos, o primeiro álbum em espanhol a levar para casa esse prêmio.

A apresentação gerou grande expectativa tanto entre os críticos quanto entre os fãs do cantor de reggaeton que, com 89 milhões de ouvintes mensais no Spotify, foi proclamado pela plataforma como o artista mais ouvido em quatro anos, superando outros nomes com legiões de seguidores, como Taylor Swift.

De um lado, estão os que questionaram a escolha de um artista que canta apenas em espanhol num momento em que os Estados Unidos vivenciam uma repressão anti-imigração, alimentada por Trump, que tornou a comunidade latina um alvo.

Do outro estão os americanos, e especialmente os latinos, que, fãs de reggaeton ou não, abraçaram o porto-riquenho de 31 anos como um símbolo de redenção. Ele conquistou o mundo permanecendo fiel às suas raízes e à sua língua, e seu trabalho musical mais recente é uma ode musical e temática à sua terra natal, Porto Rico.

O nativo de Vega Baja inflamou ainda mais as redes sociais na semana passada ao criticar duramente o ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, que está sob fortes críticas por suas operações agressivas contra imigrantes, em seu discurso de agradecimento na premiação do Grammy. Mas, em seguida, prometeu para este domingo que seu show seria "apenas" uma celebração porto-riquenha.

De fato, no Super Bowl, Bad Bunny não mencionou o ICE. Sua apresentação de 13 minutos, no entanto, foi repleta de mensagens de diversidade e união.

Sua participação no Super Bowl representa uma pausa em sua turnê internacional, que não inclui datas nos Estados Unidos por receio de que seus shows sejam alvo de ações anti-imigração.