O Dia

Aventuras Maternas: Criação com amor e diversão

Educar uma criança não é fácil, mas tarefa pode ser menos complicada quando se usa diálogo e bom humor

Rio – Educar uma criança é das tarefas mais difíceis. Porém, quando se leva com humor as situações do dia a dia, esse trabalho pode se tornar menos complicado e mais divertido. É assim na casa de Camila Ohana, mãe de Lorenzo, de 3 anos, que sempre usa o bom humor e o diálogo na criação do filho. “Acho que tudo fica mais leve, e ele consegue compreender melhor as coisas. Sem estresse e sem brigas”, comenta.

Para o pedagogo Jones Brandão, head da Agenda Edu, tudo na vida ganha uma perspectiva mais encantadora quando encarada de bom humor. “Aplicamos um comportamento bem-humorado para fazer a criança comer quando dizemos ‘olha o aviãozinho’; ou quando argumentamos ‘você agora virou o cascão’, quando ela diz que não vai tomar banho; ou, ainda, quando encenamos alguma história antes de dormir. Cada um desses momentos transmitem valores e hábitos necessários no desenvolvimento da criança. Com uma boa dose de humor, deixamos de usar apenas a fala de comando firme que exige que se faça, mas não se envolve”, explica.

Porém, para um desenvolvimento equilibrado, a criança precisa vivenciar diversas emoções e aplicações em contextos diferentes, pois isso a fará ter uma boa inteligência emocional. Já Juliana Rezende Costa, também pedagoga, comenta que as crianças assimilam melhor qualquer ensinamento quando de forma lúdica, ou seja, brincando. “Na primeira infância, tudo o que se torna marcante, engraçado e divertido, faz diferença no aprendizado, pois consegue-se prender a atenção da criança. O bom humor é, sim, uma prática importante e indispensável no dia a dia dos pais com seus filhos”, diz.

Apesar de o humor ser um ótimo aliado na educação, vale lembrar que, em algumas situações, ele deve ficar de fora. “Existem assuntos que merecem seriedade maior, como morte, bullying, problemas de saúde e familiares como separação dos pais. E precisamos separar também o humor do sarcasmo, porque não queremos ensinar as crianças a serem sarcásticas, principalmente dos tipos que podem agredir alguém, ou tornar as crianças menos sensíveis aos sofrimentos dos outros. Para tudo existe o momento e o local. É importante fazer esta diferenciação”, diz a psicopedagoga e analista do comportamento Michelli Freitas.

E um alerta importante: aplicar conteúdos com humor não significa rir de tudo. “Todo ser humano erra, e este precisa ser visto como uma construção para o acerto. É necessário chamar a criança, conversar sobre o ocorrido e ouvir o que ela tem a dizer. E, a partir disto, refletir sobre esta visão do erro e que é possível até achar algo divertido na situação. Rir de um erro cometido após esta reflexão irá permitir o desenvolvimento de um ser humano estável. Já rir do erro dela sem esta reflexão pode causar grandes problemas à sua autoimagem e autoestima”, diz a pedagoga Mariza Baumbach.