Avanço do sarampo nas Américas reforça alerta de vacinação no Brasil

Aumento de casos nos Estados Unidos e em outros países da região pressiona vigilância brasileira; especialistas defendem cobertura acima de 95% com a tríplice viral

Crédito: Ministério da Saúde — campanha Tríplice Viral.
Foto: Crédito: Ministério da Saúde — campanha Tríplice Viral.

O avanço do sarampo nas Américas voltou a acender o alerta para a importância da vacinação no Brasil. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizou 4.410 casos confirmados e três mortes pela doença em 2026 até 15 de outubro — o maior número em mais de três décadas.

A escalada ocorre em meio à queda da cobertura vacinal em comunidades americanas e ao fortalecimento de discursos que questionam a segurança de imunizantes. Segundo o CDC, a cobertura contra o sarampo entre crianças em idade de entrar na escola caiu de 95,2%, em 2019 e 2020, para 92,4% no ano letivo de 2025 e 2026.

Para o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, o cenário exige atenção de toda a região. A circulação do vírus em países vizinhos, somada à circulação internacional de pessoas, aumenta o risco de casos importados e de novos surtos em áreas com baixa cobertura vacinal.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou que as Américas registraram 55.792 casos confirmados de sarampo e 77 mortes entre janeiro e o início de outubro. A entidade atribui o avanço a lacunas de vacinação, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e à hesitação vacinal.

No Brasil, dados citados no levantamento apontam 61 casos confirmados em 2026, em sua maioria relacionados à importação do vírus. O país, porém, não registra transmissão endêmica sustentada desde 2024 e mantém o status de eliminação da doença, reconquistado após o surto que levou à perda da certificação em 2019.

A proteção depende de uma cobertura elevada e homogênea. O patamar de 95% é considerado necessário para reduzir a circulação do vírus e proteger também pessoas que não podem se vacinar por razões clínicas. Em 2024, a cobertura da primeira dose da tríplice viral chegou a 96% no país, enquanto a segunda dose atingiu 78%, índice ainda abaixo do desejado.

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e é oferecida gratuitamente pelo SUS. A recomendação do Ministério da Saúde é conferir a caderneta de vacinação e procurar uma Unidade Básica de Saúde em caso de doses atrasadas, especialmente antes de viagens internacionais.

O debate sobre mudanças no calendário vacinal americano também reacendeu alegações sem respaldo científico sobre uma suposta relação entre vacinas e autismo. A Organização Mundial da Saúde afirma que análises amplas e revisões de evidências não encontraram relação causal entre a vacina tríplice viral e transtornos do espectro autista.

Diante da pressão regional, a estratégia brasileira combina vacinação, monitoramento de casos suspeitos, isolamento dos pacientes e bloqueio vacinal de contatos. O objetivo é impedir que casos importados encontrem grupos desprotegidos e voltem a gerar cadeias de transmissão no país.

Da IstoÉ