Avanço de Flávio nas pesquisas é efeito da ‘incapacidade’ de Lula, diz estrategista

Principal nome da oposição, filho de Jair Bolsonaro tem pontuado crescimento constante desde que se apresentou como pré-candidato

montagem IstoÉ
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) Foto: montagem IstoÉ

As mais recentes pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026 apontaram que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cresceu na preferência do eleitorado. Porém, para Felipe Soutello, estrategista da campanha presidencial de Simone Tebet (MDB) e idealizador da chapa Lula-Alckmin, o cenário representa mais uma incapacidade de manter ou crescer a aprovação por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a consolidação da chapa bolsonarista.

“O que a pesquisa demonstra, na verdade, é um crescimento da candidatura da família Bolsonaro em razão da incapacidade do governo, nesse momento, de aumentar sua aprovação”, sustenta o especialista.

O levantamento Atlas/Bloomberg divulgado no final de fevereiro indicou que Lula caiu 3,8 pontos na principal estimulação de primeiro turno, enquanto Flávio cresceu 2,9. O petista aparecia com 45% das intenções de voto contra 37,9% do adversário.

Na mesma linha, a pesquisa Datafolha do dia 7 de março mostrou que um eventual segundo turno entre os dois postulantes renderia empate técnico — considerado a margem de erro de dois pontos porcentuais –, com Lula pontuando 46% e Flávio 43%. Essa diferença já foi de 15 pontos porcentuais em pesquisas anteriores.

Para selar a tríade, a sondagem da Genial/Quaest apresentada nesta quarta-feira, 11, apontou empate técnico em diversos cenários de primeiro turno, enquanto projeta a mesma porcentagem para Lula e Flávio em uma possível segunda fase.

O emparelhamento dos candidatos também se repete nos índices de rejeição: ambos são os nomes mais conhecidos e os mais rejeitados. Segundo Soutello, o aumento da desaprovação da atual gestão motiva diretamente  a musculatura da chapa bolsonarista, uma vez que Flávio postulou-se como o candidato mais factível da oposição.

“A desaprovação e a rejeição ao governo cresceu. Em contrapartida a isso, há um crescimento da alternativa que se coloca como viável [Flávio]”, diz o estrategista. Nesse sentido, Soutello explicou à IstoÉ que o diagnóstico das pesquisas recentes remete a uma “consolidação das rejeições”.

Pesquisas apontam repetição de 2022

Pesquisas de opinião constatam que, especialmente a partir do segundo semestre 2025, a desaprovação ao governo Lula cresceu significativamente. Nos medidores atuais, mais da metade do povo brasileiro reprova a atual gestão, contra cerca de 44% de aprovação.

Para Soutello, há múltiplos fatores que explicam a rejeição, com destaque para o baixo poder de compra dos cidadãos. Apesar dos bons indicadores econômicos e situação de pleno emprego no Brasil, a percepção popular é de juros altos e aumento das dívidas, uma vez que parte das medidas governamentais ainda não surtiu efeito na leitura do eleitorado.

Aliado a isso estão as crise institucionais do caso Master e as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que atrapalham a imagem do Palácio do Planalto. Os escândalos envolvem figuras dos mais diversos espectros políticos, mas é inevitável que o maior peso recaia sobre o Executivo. “A crise de corrupção atinge o Executivo. O governo é que, em primeiro lugar, sente os efeitos disso”, entende o especialista.

Esta conjectura desfavorável ao governo Lula impulsiona a oposição, que cresce mais devido à rejeição do petista do que pela personalidade de Flávio. “O governo não consegue melhorar os seus indicadores de ‘ótimo e bom’. Para se ter ideia, menos do que 35% de ‘ótimo e bom’ torna muito difícil a reeleição”.

“Todos os candidatos de oposição ao presidente Lula têm crescimento nas pesquisas. Tanto faz quem é o nome”, diz Soutello.

A avaliação derivada das pesquisas aponta para uma repetição da corrida de 2022, em que Lula e Jair Bolsonaro (PL) disputaram mais pela “lógica das rejeições” do que pela “lógica das escolhas”. Isso explica os recentes acenos de Flávio, que busca se apresentar como um “Bolsonaro moderado” e conquistar eleitorado mais amplo do que a bolha do pai.

“Não acho que já existam instrumentos para afirmar a consolidação da candidatura individual do Flávio: a família Bolsonaro cresce em razão da rejeição consolidada do presidente Lula”, finaliza o estrategista.

**Estagiária sob supervisão