Depois de dias de protestos pela morte de um jovem negro nas mãos da polícia na Califórnia, as autoridades pediram “calma” nesta terça-feira (27) e anunciaram uma investigação independente sobre o incidente.
Stephon Clark, de 22 anos, morreu há mais de uma semana no quintal de sua casa na cidade de Sacramento, baleado por dois policiais que confundiram o celular em sua mão com uma arma de fogo.
A morte provocou protestos. Na sexta-feira passada, manifestantes cercaram uma viatura da polícia, chutaram e subiram no veículo, de acordo com a imprensa local.
“Preocupa-me que, como comunidade, voltemos à calma nas próximas semanas e meses, para que não tenhamos mais tragédias, feridos ou danos à propriedade, porque isso não nos ajuda a avançar e melhorar a cidade para todo o nosso povo”, declarou Daniel Hahn, chefe da polícia de Sacramento, capital do estado.
A polícia também anunciou a abertura de uma investigação independente conduzida pelo departamento de Justiça da Califórnia.
“Vamos oferecer nossa experiência para garantir que a investigação sobre a trágica morte de Stephon Clark seja justa e imparcial”, disse o procurador-geral Xavier Becerra.
No domingo, 18 de março, a polícia foi ao bairro onde Clark morava, respondendo a uma ligação para o serviço de emergência sobre um homem que havia quebrado várias janelas de veículos na área e se escondido em um quintal.
Os policiais consideraram Clark como o principal suspeito e o perseguiram. Tudo foi gravado em vídeo de um helicóptero e através das câmeras instaladas nos uniformes dos agentes.
O vídeo mostra o jovem correndo e buscando refúgio no quintal da casa de seus avós, onde morava. Os policiais gritam: “Mostre suas mãos!” e imediatamente exclama: “Arma, arma, arma!”. Neste momento, disparam 20 vezes.
Os agentes foram suspensos.
“Eles não tinham que matá-lo assim, não tinham que atirar tanto”, disse sua avó, Sequita Thompson, em uma entrevista coletiva na segunda-feira.
“Por que não atiraram em um braço, na perna, soltaram um cachorro nele ou deram um choque elétrico?”, questionou. “Quero justiça para o meu bebê!”
Esta nova morte reavivou um debate recorrente nos Estados Unidos sobre os abusos da polícia contra os negros.