Autoridades do Hamas anunciam mais de 80 mortes em ataques a campo de refugiados

O Ministério da Saúde do Hamas anunciou que mais de 80 pessoas morreram neste sábado (18) em dois ataques israelenses contra o campo de refugiados de Jabaliya, o maior da Faixa de Gaza.

O primeiro ataque, que deixou 50 mortos, aconteceu “ao amanhecer, na escola Al Fakhura”, administrada pela ONU e que abrigava pessoas deslocadas, informou à AFP um funcionário do ministério.

Imagens que circulam nas redes sociais, verificadas pela AFP, mostram corpos, alguns cobertos de sangue, outros de poeira, no chão do prédio, onde colchões haviam sido posicionados debaixo das mesas dos estudantes.

O chefe da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, expressou indignação com um ataque “horrendo” e pediu que as escolas deixem de ser alvos de operações bélicas.

“Estes ataques (…) devem parar. Um cessar-fogo humanitário não pode mais esperar”, escreveu na rede X.

A escola bombardeada tinha se tornado centro de acolhida para “milhares” de palestinos deslocados, segundo Lazzarini.

Em Jabaliya, a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos administra 26 escolas e dois centros de saúde.

O coordenador de Assuntos Humanitários e Ajuda de Emergências das Nações Unidas (OCHA), Martin Griffiths, denunciou, por sua vez, as “informações trágicas” e lembrou que os refúgios eram “locais de segurança” e as escolas, “locais de ensino”.

“A humanidade deve prevalecer”, ressaltou no X.

Outro bombardeio contra um edifício do mesmo campo matou 32 pessoas da mesma família, incluindo 19 crianças, segundo funcionário do Ministério da Saúde.

A pedido da AFP, o exército israelense informou ter recebido “informações sobre um incidente na região de Jabaliya” e que estava analisando-as.

Depois, um comunicado militar indicou que “a área acolhe o comando e o controle da Brigada do Norte de Gaza” do Hamas, assim como “um dos redutos terroristas mais importantes, onde operam quatro batalhões do Hamas”.

Os soldados “enfrentam os terroristas que operam intencionalmente de áreas civis e tentam atacar as tropas com mísseis antitanques e artefatos explosivos”, acrescentou.

No início de novembro, o governo do Hamas anunciou que mais de 200 pessoas morreram e centenas ficaram feridas em bombardeios israelenses em Jabaliya em ataques que duraram três dias.

Este é o maior campo da Faixa de Gaza, onde mais de 80% dos habitantes são refugiados ou descendentes de refugiados que abandonaram suas casas em 1948 com a criação do Estado de Israel.

Israel prometeu “aniquilar” o Hamas em resposta ao ataque do movimento islamista contra seu território, em 7 de outubro.

Durante a incursão, seus milicianos mataram 1.200 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 240 pessoas, segundo as autoridades.

Desde então, Israel bombardeia a Faixa de Gaza, governada pelo Hamas desde 2007, e em 27 de outubro, lançou operações terrestres no território. O grupo islamista elevou neste sábado a 12.300 o número de mortos nestes ataques, entre eles 5.000 crianças.

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