Cultura

Autor de biografia de Mussolini promete surpreender leitores

PORDENONE, 23 SET (ANSA) – A solidão de Benito Mussolini e a distância entre o homem público e o privado. Esse é o fio condutor da segunda parte da trilogia iniciada por “M, o filho de século”, premiada obra do escritor Antonio Scurati que já vendeu mais de 500 mil cópias e foi traduzida em 40 países.   

“M. L’uomo della provvidenza” (“M, o filho da providência”, em tradução livre) conta os anos de apoteose do fascismo e a consciência do próprio Mussolini de que não poderia manter as promessas feitas.   

“Existe uma narrativa dupla de Mussolini: de um lado, a projeção do imaginário coletivo, da propaganda, das mil estátuas, uma espécie de ídolo; de outro, aprofundo as suas solidões, conto a solidão absoluta do poder, que é verdadeira para qualquer forma de poder, mas de modo particular para Mussolini, porque ele, enquanto caminhava rumo à ditadura, criou um vazio em torno de si”, diz Scurati em entrevista à ANSA.   

+ “Filho é um inferno e atrapalha”, diz Fábio Porchat sobre não querer ser pai

Segundo o escritor, Mussolini sacrificou antigos companheiros sem pensar duas vezes sempre que lhe foi cômodo e afastou qualquer pessoa que pudesse se vangloriar de qualquer forma de amizade com ele.   

“Existe uma cena, entre as mais melodramáticas, patéticas ou comoventes do livro, quando ele liquida de maneira brutal Margherita Sarfatti, que havia sido a única mulher que realmente importara em sua vida. Quando o destino de um país depende de um único homem, torna-se necessariamente um destino funesto”, acrescenta.   

“M. L’uomo della provvidenza” chega às livrarias italianas nesta quarta-feira (23) e, segundo Scurati, deixará muitos leitores “chocados” com um longo trecho dedicado a uma “revelação”. “É um episódio pouco conhecido até por historiadores e ignorado por quase todos nós: os crimes de guerra horrendos que os italianos cometeram em 1930 e 1931 na campanha na Líbia”, diz.   

+ Polícia aborda ambulância com sirene ligada e descobre 1,5 tonelada de maconha

Isso inclui a deportação forçada de 100 mil civis e a criação de uma ampla rede de campos de concentração. “Os campos de concentração que estamos habituados a associar ao fascismo alemão foram, em certa escala, uma criação do fascismo”, afirma o escritor.   

“M, o filho do século” se tornou sucesso de público e crítica ao retratar a trajetória de Mussolini sem a aridez dos livros de história, mas unindo técnicas do romance a uma farta base documental. “Não queria fazer de Mussolini um herói trágico e escolhi um método de trabalho muito rigoroso, muito fiel às fontes documentais, o que gerou uma nova forma de narração”, explica.   

“M. L’uomo della provvidenza” será publicado no Brasil pela editora Intrínseca, mas ainda não tem previsão de lançamento. Já a terceira parte da trilogia iniciará com a visita de Adolf Hitler à Itália em 1938, mas Scurati ainda não começou a escrever o livro. (ANSA).   

Veja também

+ A incrível história do judeu que trabalhou para os nazistas na Grécia

+ Teve o auxílio emergencial negado? Siga 3 passos para contestar no Dataprev

+ Caixa substitui pausa no financiamento imobiliário por desconto de até 50% na parcela

+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel

+Vídeo mostra puma perseguindo um corredor em trilha nos EUA

+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago

+ 12 razões que podem fazer você menstruar duas vezes no mês

+ Conheça a nova Honda MSX 125 GROM

+ Novo Xiaomi Mi Box 4S por R$ 240

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?

+ Educar é mais importante do que colecionar