Autopromoção faz do Fenômeno a estrela do novo CSA-MG

Autopromoção faz do Fenômeno a estrela do novo CSA-MG

a compra da Raposa por Ronaldo Fenômeno ainda não está 100% sacramentada- (Divulgação)


Se há uma lição que o campeoníssimo Galo de 2021 tem a ensinar ao CSA-MG (Cruzeiro Sociedade Anônima) é que dinheiro, craques e estrutura são importantes, sim, é óbvio, mas sem unidade, coesão e humildade a colheita será magra, senão deficitária.

Aliás, foi exatamente a soberba e arrogância de muitos dirigentes – e grande parte da torcida – que empurrou o antigo CEC (Cruzeiro Esporte Clube) para o fundo do poço da série B, beliscando o subsolo do alçapão – a série C do Campeonato Brasileiro.

Recentemente, inclusive, um episódio constrangedor ilustrou o tamanho dessa vaidade que não termina. O atual presidente do Cruzeiro ameaçou processar a Minas Arena, mesmo devendo milhões, e nem sequer pagando as despesas correntes dos jogos.

Tipo assim: ‘Devo, não nego, pago quando puder, e você banca as despesas dos meus jogos, ainda que não tenha obrigação nenhuma, e eu lhe dou mais um cano, pois do contrário, se você não me emprestar o Mineirão, eu te processo’.

RONALDO

O Fenômeno é um ídolo mundial, nascido para o mundo através da barriga de aluguel que foi o Cruzeiro durante anos. Imagino quanto dinheiro o clube não fez, para a alegria de dirigentes, empresários e atletas, e para a tristeza de seus torcedores.

Ronaldo é influente e, sem dúvida alguma, hoje é muito maior que o atual Cruzeiro. Inclusive, deixou isso muito claro em suas entrevistas, lembrando que o lugar em que se encontra o clube é indigno e que pretende recolocá-lo no lugar que merece.

Como nenhum grande grupo esportivo ou instituição financeira se aventurou a investir na Raposa, restou à mesma aceitar a oferta mínima do ex-atacante e acreditar em seu potencial. Era pegar ou largar, e a alternativa seria ‘morrer’ de uma vez.

Contudo, ainda que Ronaldo seja Ronaldo e o Cruzeiro ‘esteja’ o Cruzeiro, há oito ou nove milhões de torcedores que são maiores que essa união conveniente. Eles, sim, merecem destaque, e não o ‘empresário’ que promete injetar dinheiro e salvar o clube.

VAIDADE

O hino do CEC continuará o mesmo, e o CSA poderá e certamente irá ouvir sua torcida cantá-lo com ‘vaidade’. Mas esse sentimento não levará a nada, haja vista a situação atual. É hora de a vaidade ceder à paixão e, sobretudo, à humildade.

Vejam o exemplo dos tais 4 R’s, os mecenas do Galo. E do próprio presidente do Clube, Sergio Coelho. Ninguém ali procura holofotes ou pretende ser maior que a Instituição e sua torcida. Deixam os méritos e os louros a quem merece e pronto.

É justamente o oposto a que assistimos nessa primeira grande ação do Cruzeiro Novo (não confundir com o sucessor do Cruzeiro, Cruzado Novo e Cruzado), onde Ronaldo já lança uma camisa para si, e o clube, em posição humilde, submete-se a tal.

Ora, o que fez o Fenômeno para merecer tal honraria? Injetou milhões no clube? Patrocinou títulos? Reestruturou a ‘casa da Mãe Joana’ que se tornou o Cruzeiro? A resposta é não. Mas, ainda assim, lá está ganhando os holofotes e a costumeira autopromoção.

FUTURO

Como atleticano que sou, quero mais é que o CSA se dê tão mal quanto o CEC. Mas tenho amigos-irmãos que não merecem passar o resto da vida sem um time de futebol para torcer, por isso me incomoda o que está acontecendo no rival.

Ronaldo tem de injetar ou conseguir centenas de milhões de reais imediatamente, e não em 250 anos, a partir de 2077. E só! E tem de contratar um CEO excepcional, que monte uma diretoria executiva, que contrate uma comissão técnica brilhante e bons jogadores.

E tem de sumir das câmeras de TV e dos microfones das rádios! Quem tem de brilhar são os profissionais que irão reerguer o clube. O ‘gordão’ será devidamente remunerado, com muito dinheiro, se o projeto que tem para o Cruzeiro der certo.

Imaginem uma camisa do Galo com o nome Menin nas costas!! Seria, sem dúvida, um sucesso de vendas, mas jamais teria lugar algo assim em uma Entidade que não vive ‘cheio de vaidade’ e jamais se preocupou em ser ‘um grande campeão’.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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