O Parlamento da Áustria reconheceu, nesta quarta-feira (12), como vítimas do nazismo as pessoas deportadas para os campos de concentração por terem sido condenadas a penas de mais de seis meses de prisão, uma decisão simbólica, já que não há nenhum sobrevivente.

Durante o regime nazista, as pessoas que cumpriam uma pena de prisão de mais de seis meses eram enviadas aos campos de concentração e qualificados como “criminosos de carreira” e “antissociais”.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, essas pessoas não foram reconhecidas como vítimas do nazismo e excluídas das reparações.

“Estamos corrigindo um erro”, declarou a deputada Eva Blimlinger, do Partido Verde.

Blimlinger lamentou que esse texto, adotado por unanimidade, seja meramente “simbólico”, já que não há nenhum sobrevivente.

Segundo um estudo do Centro de Documentação e Arquivos sobre a Resistência (DÖW), que será publicado em julho, 885 austríacos foram deportados ao campo de Mauthausen sob essa prática.

Nesta quarta-feira, os parlamentares citaram o caso de Alfred Gruber, um morador de Viena condenado por roubo em 1936. Gruber já havia cumprido sua pena e não havia reincidido, mas depois que a Áustria foi anexada pela Alemanha nazista, ele foi deportado.

Entre as vítimas também houve “homosexuais, opositores políticos e defensores da democracia”, destacou a parlamentar liberal Fiona Fiedler.

Em 2020, a Alemanha adotou uma lei similar para ressarcir as vítimas e estimou que cerca de 70.000 pessoas poderiam ter sido afetadas.

País natal de Adolf Hitler, a Áustria se apresentou durante muito tempo como vítima do nazismo, mas nas últimas décadas começou a revisar seu papel neste período.

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