Augusto Cury lança pré-candidatura à Presidência com foco na ‘pacificação da mente’

Durante evento em Belo Horizonte, o psiquiatra e autor de best-sellers mesclou propostas econômicas com conselhos de relacionamento e defendeu um governo que atue como "empregado do povo"

O psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante)
O psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) Foto: Divulgação

A corrida sucessória para o Palácio do Planalto em 2026 ganhou contornos messiânicos e terapêuticos na noite desta quarta-feira, 6 de maio. Em um evento lotado em Belo Horizonte (MG), o psiquiatra e escritor Augusto Cury oficializou sua pré-candidatura à Presidência da República pela legenda Avante. Conhecido mundialmente por seus livros sobre a “Teoria da Inteligência Multifocal”, Cury transpôs seus conceitos de gestão da emoção para o palanque, pregando uma pacificação nacional pautada pelo que chamou de “união das melhores teses”.

Resumo

  • Lançamento oficial: o evento ocorreu em Belo Horizonte (MG) na noite desta quarta-feira, 6 de maio.

  • Pilares econômicos: Cury propõe bancos e escolas de empreendedorismo em comunidades e a meta de dobrar a produção de alimentos em dez anos.

  • Retórica educacional: defendeu a mudança da “era do apontamento de falhas” para a do “apontamento de elogios” nas relações sociais e políticas.

  • Perfil do cargo: o pré-candidato afirmou que um presidente deve ser visto como um “empregado do povo” com prazo de validade.

  • Desempenho nas pesquisas: o escritor figura com 2% das intenções de voto (Quaest/Abril), empatado tecnicamente com Renan Santos (Missão).

Durante o discurso, que mais lembrou uma de suas concorridas palestras de autoajuda, Cury buscou equilibrar o pragmatismo econômico com a sensibilidade social. “Eu e meus amigos do Avante queremos dar o maior exemplo para a política brasileira e mundial, mostrando que a nossa mente tem de ter as ideias do capitalismo, mas o nosso coração tem que cuidar das pessoas pobres”, afirmou o pré-candidato, delineando uma terceira via que tenta fugir dos rótulos ideológicos tradicionais.

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Entre as propostas objetivas apresentadas, o escritor focou na base da pirâmide social. Cury defendeu a criação de bancos e escolas de empreendedorismo voltados especificamente para comunidades vulneráveis, além de estabelecer a meta ambiciosa de dobrar a produção nacional de alimentos na próxima década. No entanto, o tom predominante foi o comportamental. O pré-candidato pediu que a plateia repetisse motes em coro, enfatizando que o Brasil não precisa de “ídolos”, mas de líderes que se curvem ao cidadão comum.

“Essa nação precisa de pessoas que se coloquem no lugar dos outros. Um cargo eletivo, como o de presidente, é apenas um empregado do povo, contratado com prazo determinado para ser despedido”, declarou Cury, sob aplausos. A estratégia de interatividade com o público incluiu conselhos para casais e educadores. Segundo ele, o segredo para a pacificação do País reside na troca da crítica pelo elogio. “Quem é criticista, apontador de erros, está apto a consertar máquinas e não para formar mentes brilhantes”, sentenciou.

Apesar da popularidade nas livrarias, o desafio de Augusto Cury nas urnas é hercúleo. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril, o psiquiatra detém apenas 2% das intenções de voto. Ele aparece bem distante dos líderes Lula (PT), que lidera com 37%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 32%. No pelotão intermediário, Cury ainda precisa superar nomes como Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, e Romeu Zema (Novo), que pontua 3%.

A aposta do Avante é que o alto índice de conhecimento do autor e seu discurso de “saúde mental política” possam atrair o eleitorado exausto da briga entre lulismo e bolsonarismo. No encerramento, o foco foi o empoderamento feminino, com o autor aconselhando as mulheres a reconhecerem sua própria inteligência e encanto, reforçando a faceta de conselheiro que o tornou um fenômeno editorial e que agora ele tenta converter em capital político.