Anouk Aimée, que morreu nesta terça-feira (18) aos 92 anos, encarnou a elegância por décadas no cinema francês, depois que “Um Homem, Uma Mulher”, de Claude Lelouch, vencedor da Palma de Ouro em 1966 em Cannes, impulsionou a sua carreira.

“Sou feminina e ser mulher é uma força incrível”, disse a atriz que também soube manter seu status de estrela do teatro.

Graças à apaixonante história de amor entre uma viúva e um piloto de corridas (Jean-Louis Trintignant), Aimée ganhou um Globo de Ouro de melhor atriz e foi indicada ao Oscar.

O filme também foi um sucesso mundial graças à trilha sonora e ao refrão cativante da música principal, cantada por Pierre Barouh e Nicole Croisille.

Décadas depois, em 2019, ela voltaria a contracenar com Jean-Louis Trintignant em “Os Melhores Anos de Uma Vida”, sequência dirigida pelo próprio Lelouch.

Ao longo de sua longa carreira, Aimée trabalhou com grandes nomes do cinema, como Bernardo Bertolucci, Vittorio de Sica, André Delvaux, George Cukor e Robert Altman.

Foi uma “Lola” inesquecível para Jacques Demy, uma mulher misteriosa para Federico Fellini em “A Doce Vida” e em “Oito e Meio”. Para Anouk Aimée, que trabalhou muito na Itália, Fellini era o “Mont Blanc” do cinema.

Em 2003, ela recebeu um Urso de Ouro no Festival de Berlim pelo conjunto de sua carreira. Em 2006, Cannes prestou uma homenagem especial à atriz.

Foi nesse festival que ganhou o Prêmio de Interpretação Feminina em 1980 por “Salto nel vuoto”, de Marco Bellocchio.

– “Mulher livre” –

Anouk Aimée foi casada com o cineasta Nico Papatakis, com quem teve uma filha, com o cantor e compositor Pierre Barouh (coautor, com Francis Lai, da trilha de “Um Homem, Uma Mulher”) e com o ator britânico Albert Finney.

“É preciso ser feminina”, insistia. “Não manter (no casal) relações de poder com o outro”.

“Tive sorte de ser uma mulher livre, mas nunca me vi como mulher fatal”, disse.

Nascida em 27 de abril de 1932 em Paris, Françoise Dreyfus, seu nome verdadeiro, era filha de atores.

Ela adotou o nome artístico de Anouk após seu primeiro papel em “La Maison sous la mer”, de Henri Calef (1947), aos 13 anos. Depois, por sugestão de Jacques Prévert em outra filmagem, adotou o sobrenome Aimée.

A atriz estreou em 1949 em “Os Amantes de Verona”, de André Cayatte. Em seguida, apareceu em filmes como “A Cortina Carmesim” (Alexandre Astruc), “Expresso de Paris” (Harold French) e “Contraband Spain”, codirigido em 1955 por Lawrence Huntington e Julio Salvador.

Robert Altman a convidou para seu grande retrato da moda parisiense “Prêt-à-Porter”, em 1994. Ela também filmou nos Estados Unidos para George Cukor e Sidney Lumet.

Anouk Aimée disse que poderia ficar muito tempo sem filmar. “Não sei me vender muito bem, sou uma pessoa que espera. Preciso ser pressionada”, disse.

Mesmo assim, fez mais de 80 filmes… mas rejeitou o papel interpretado por Faye Dunaway em “Crown, o Magnífico” (1968). “Me fizeram tantas propostas, fiquei confusa, já não sabia”, justificou.

No teatro, seu grande sucesso foi “Love Letters”, do autor americano Albert Ramsdell, que interpretou centenas de vezes, com vários companheiros de palco: Bruno Cremer, Jean-Louis Trintignant, Philippe Noiret, Jacques Weber e Gérard Depardieu.

Também atuou na televisão, principalmente em adaptações de grandes textos literários.

Anouk Aimée vivia em sua casa parisiense em Montmartre, cercada de filmes, gatos e cães. Era uma defensora da natureza e dos animais.

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