Os atores Tony Tornado e Fernando Montenegro já completaram 95 anos de vida e seguem surpreendendo pela demonstração de vitalidade e atuação impecável. A grande dama do teatro faz participação em “Emergência 53”, nova série médica original Globoplay, após estrelar “Vitória”, que chegou aos cinemas em 2025. Já o colega veterano está na novela “Êta Mundo Melhor!”, atualmente no ar no horário das 18h da Globo.
A exemplo deles, o ator Ary Fontoura, apenas três anos mais jovem, segue dando um show de talento e interpretação, integrando também o folhetim global, com quase a mesma energia e disposição dos tempos de outrora. Já nas redes sociais, ele tem compartilhado vídeos engraçados, críticos e reflexões, mas, acima de tudo, produzido conteúdo mostrando série de exercícios na academia.
Tornado iniciou a carreira artística 65 anos atrás, através da música, e se tornou ícone do soul e da black music brasileira. A estreia na TV aconteceu em 1972, quando tinha 42 anos de idade. Dona Fernanda completa 76 anos de carreira em 2026, iniciada no rádio, aos 15 anos de idade, e depois migrou para o teatro, em 1950. Fontoura também tem mais de 70 anos de carreira, que começou em 1961 com participações em TV e teatro.
Os três artistas estão juntos no filme brasileiro “Velhos Bandidos”, que estreia dia 26 de março, exclusivamente nos cinemas. Com o ritmo de vida e de trabalho agitado, os três atores provam que é possível manter-se ativo e produtivo mesmo após nove décadas de vida, e representam inspiração para quem almeja uma longa vida.
Olhando os exemplos dos jovens senhores, parece ser fácil ultrapassar nove décadas de vida e continuar produtivo na profissão a qual se dedicam, além de esbanjar saúde. E pode ser, mesmo. Para entender o que mantém a força de artistas como eles, IstoÉ Gente conversou com especialista, que analisou questões da própria estrutura humana, o exercício que o trabalho de atuação exige, como concentração e memória, e demais características que podem contribuir ou prejudicar a longevidade.
A médica geriatra *Dra. Roberta França, especialista em longevidade consciente e saúde mental, explica que essa disposição já nem é mais considerada um fenômeno raro.
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“Envelhecer é algo extremamente moderno. Há 40 anos, encontrar alguém com mais de 70 anos era muito difícil. Era raríssimo ter amigos com mais de 50 anos que ainda tivessem os pais vivos. Hoje, o mais comum é termos não apenas os pais, mas também os avós presentes. A novidade é justamente essa longevidade tão intensa, tão grande, e, obviamente, ela pode e deve vir acompanhada de vitalidade e capacidade, pois a idade não deveria ser motivo de espanto para a execução de qualquer tarefa”, tranquiliza a médica.
“Ainda carregamos a visão do idoso frágil, sentado numa cadeira de balanço, fazendo tricô, crochê, lendo jornal ou assistindo televisão. Mas, atualmente, os idosos são atuantes, absolutamente capazes, e é isso que vemos em exemplos como Tony Tornado, Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, que dão verdadeiras aulas de vitalidade e mostram que a idade não define e tampouco limita”, compara.
Sobre a genética ser um fator determinante para se conquistar a longevidade com produtividade, a especialista diz que sim, mas alerta que é preciso dar atenção a outras questões.
“Apesar de sabermos que a genética pode favorecer, hoje entendemos que apenas cerca de 30% das características genéticas determinam o processo de envelhecimento. Os outros 60% a 70% estão atrelados às escolhas feitas ao longo da vida. Ou seja, envelhecer com saúde tem relação direta com escolhas conscientes e consistentes ao longo da jornada”, diz.
E uma das dessas questões está na atividade física. Manter o corpo ativo é uma forma de exercitar a mente.
“Quando falamos da terceira idade, sabemos que o envelhecimento traz lentificação dos movimentos e também do pensamento. A memória pode ficar mais falha e as tarefas, mais difíceis de executar. Para minimizar isso, é fundamental manter corpo e mente em atividade. Atividade física não é hobby; é uma necessidade fisiológica para que o organismo se mantenha ativo e forte”, aconselha.
A geriatra acrescenta que as atividades devem se estender aos exercícios intelectuais. “O cérebro, por sua vez, também precisa ser constantemente estimulado por novos aprendizados. Aprender novas habilidades, estudar um idioma ou realizar algo que sempre se quis, mas nunca se fez, são formas eficazes de manter o cérebro ativo e em busca de novos desafios”, elenca a geriatra.
Para garantir uma boa saúde física e mental na velhice, as atividades físicas devem fazer parte da vida do indivíduo desde cedo. Mas é preciso manter o ritmo na terceira idade.
“Não existe idade que limite a prática de atividade física, exceto quando há alguma doença que efetivamente impeça o paciente de realizá-la. Muito pelo contrário: para a maioria das patologias, a atividade física faz parte do tratamento. Portanto, o idoso deve se manter ativo e exercitar o corpo constantemente, pois a prática regular garante autonomia ao longo da vida”, orienta.
Etarismo
A médica geriatra *Dra. Roberta França destaca, ainda, que a nossa sociedade insiste em preservar a imagem do idoso como alguém que já não tem mais o que contribuir, mas que isso é uma visão distorcida, já que pessoas na terceira idade ainda podem exercer papéis importantes.
“Acredito que o que ainda causa espanto, ao olharmos para pessoas tão ativas nessa idade, é a cultura enraizada de que o idoso ‘se aposenta da vida’. Pensamos muito na aposentadoria do trabalho, mas ainda associamos a idade a limitações e incapacidade. Isso é reflexo do etarismo”, alerta.
“Precisamos compreender que idade é apenas um número e que o envelhecimento é absolutamente natural, parte da vida. Só não terá o privilégio de envelhecer quem partir antes. Portanto, é essencial buscarmos um envelhecimento saudável, com qualidade, respeito e empatia”, aconselha a especialista.
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